Professores e estudantes dão início a onda de manifestações contra o governo

 

 

Por Fernanda Soares

 

Milhares de estudantes e professores foram às ruas, no dia 15 de maio, protestar contra o contingenciamento de verbas na Educação. De acordo com o levantamento feito pelo site G1, as manifestações ocorreram em, ao menos, 222 cidades do Brasil.

Universidades e escolas de ensino médio aderiram às paralisações. Foi a primeira grande manifestação ocorrida durante o atual governo, realizada antes de completar 5 meses da posse de Bolsonaro. Uma greve geral também está sendo convocada para o dia 14 de junho, em todo o país.

O presidente acompanhou as manifestações de Dallas (EUA), onde deu uma declaração que manchou ainda mais sua reputação com os professores e estudantes, ao chamá-los de idiotas úteis, imbecis e massa de manobra.

No mesmo dia, o senador Humberto Costa (PT-PE) rebateu a declaração do presidente Bolsonaro em plenário. Na visão do senador, essa afirmação do presidente só mostra que ele está completamente alheio ao que se passa no país. Humberto Costa afirmou: “é extremamente expressivo o protesto dos brasileiros contra essa política de asfixiamento dos institutos e das universidades federais por meio de um corte de verbas, que se deu pelo absurdo argumento de que as universidades promovem balbúrdia. E de lá dos Estados Unidos [onde está o presidente], ele chama os brasileiros, que estão contra esses bárbaros cortes, de idiotas funcionais, de imbecis. É um escárnio!”

As manifestações de 15 de maio foram uma reação ao contingenciamento de verbas e às declarações do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que declarou que haveria cortes em universidades onde houvesse "balbúrdia".

O Ministério da Educação e Cultura – MEC bloqueou 24,84% dos gastos não obrigatórios dos orçamentos das 63 universidades e dos 38 institutos federais de ensino. Essas despesas incluem contas de água, luz e compra de material básico, além de pesquisas. As verbas obrigatórias (86,17%), que incluem salários e aposentadorias, não serão afetadas.

No total, considerando todas as universidades, o corte é de R$ 1,7 bilhão, o que representa 24,84% dos gastos não obrigatórios (chamados de discricionários) e 3,43% do orçamento total das federais. O orçamento aprovado para todas as 63 universidades federais para 2019 é de R$ 49,621 bilhões. Desse total, o pagamento de salários (despesas de pessoal) vai consumir R$ 42,3 bilhões, o que representa 85,34%. Já as despesas discricionárias somam R$ 6,9 bilhões (13,83%), e outros R$ 400 milhões (0,83%) são provenientes de emendas parlamentares.

O governo afirma, ainda, que o bloqueio pode ser revertido caso a previsão de receita melhore. E, nas previsões do governo, a melhoria da receita ocorre com aprovação da Reforma da Previdência. Uma chantagem com o povo brasileiro!

 

São José dos Campos

 

A manifestação ocorreu na área central da cidade, com concentração às 9h, na Praça Afonso Pena. 5 mil pessoas participaram do protesto, a maioria estudantes e professores. Os manifestantes utilizaram cartazes para repudiar as declarações do ministro da Educação e de Bolsonaro e os cortes na Educação e nas pesquisas.

Alunos e professores da Unifesp, Unesp, Instituto Federal de Educação lideraram a manifestação. Mais de 100 alunos da pós-graduação do INPE participaram do protesto. Também aderiram à manifestação os movimentos sociais, professores da educação básica, alunos de escolas particulares. Representantes de alguns sindicatos, como o SindCT, metalúrgicos, químicos, petroleiros, trabalhadores dos Correios e da alimentação, servidores municipais, condutores e aposentados estiveram presentes para apoiar os manifestantes.

Às 10h30, a manifestação tomou as ruas da cidade, numa grande passeata. O ato, que correu de forma pacífica, foi encerrado ao meio dia.

 

 

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