Cidade da tecnologia retrocede nos avanços conquistados em mobilidade urbana

São José dos Campos, a capital da tecnologia, está retrocedendo nos avanços que conquistamos nos últimos anos em Mobilidade Urbana. Indo na contramão de todas as cidades do mundo, que buscam alavancar os meios de transporte coletivos e menos poluentes, o governo Felicio Ramuth, do PSDB, impõe obras e decisões prejudiciais à população e ao meio ambiente.

A obra da ponte estaiada, na região do Colinas, na região oeste, é um dos exemplos. Sem conversar com a população e sem fazer um estudo detalhado, o prefeito começou a fazer uma obra cara, cerca de R$ 50 milhões, que não estava prevista em lugar nenhum, que não foi solicitada por ninguém e que pode não resolver os congestionamentos no local.

São tantos os problemas que diversos moradores e entidades denunciaram essa obra ao Ministério Público, que acionou a Justiça para suspender a construção da ponte. Segundo estudos do MP, a ponte não resolverá os gargalos no trânsito do local e já estaria saturada em apenas sete anos. A ponte ainda inviabilizaria outras intervenções futuras.

Além disso, sem estudos sobre os sentidos de trânsito mais congestionados e sem retirar nenhum semáforo, o problema de congestionamentos pode continuar e a população pagará uma conta salgada, porque a verba para a obra é por meio de financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Foram tantas as polêmicas, que apenas após a obra ter sido iniciada é que o governo resolveu fazer uma reunião, em horário muito ruim, para “ouvir” a população.

Vale ressaltar que os quase R$ 50 milhões poderiam ser investidos em outras obras mais urgentes e necessárias, como ciclovias e corredores de ônibus, por exemplo.

Quando atuei como secretário de transportes, tive a alegria de participar dos trabalhos que praticamente dobraram a malha cicloviária na cidade. Mas esse trabalho de interligar bairros e regiões por meio de ciclovias e incentivar o uso de bicicletas como meio de transporte ou lazer foi abandonado pelo atual governo.

Sem novos investimentos e manutenção das ciclovias, São José dos Campos passou a fazer parte de uma triste estatística: ser uma das cidades mais violentas do Estado de São Paulo em mortes de ciclistas, que aumentaram 8%.

Outro grande orgulho que tenho foi o de implementar o Bilhete Único de 2 horas, que significou economia ao bolso dos trabalhadores, principalmente agora que o prefeito quer aumentar a passagem para até R$ 4,90.

Os corredores de ônibus também foram importantes para disciplinar e melhorar o trânsito, mas em vez de serem ampliados, sofreram alterações para pior.

Mas um dos maiores retrocessos do governo Felicio para a população de toda a cidade é o descarte do BRT (Bus Rapid Transit). Entregamos todo o projeto pronto e aprovado, inclusive com o recurso de R$ 800 milhões para as obras. Foram dois anos de muita enrolação, falando de uma revisão de projeto, que nunca aconteceu. Nosso objetivo ao projetar o BRT, semelhante ao de Curitiba, era o de preparar a cidade para os próximos anos, além de melhorar a vida de quem anda de ônibus.

Este sistema de transporte rápido por ônibus é uma das soluções que têm sido adotadas em muitas cidades de médio porte em todo o mundo, porque garante maior rapidez em um sistema confortável e de qualidade. Para isso, os ônibus trafegariam em canaletas segregadas.

O sistema contava ainda com monitoramento centralizado, ônibus com GPS, semáforos inteligentes para passagem preferencial aos coletivos, integração com o sistema de transporte público e informações em tempo real ao usuário. O sistema operaria como o metrô, porém, os custos operacionais seriam bem mais baratos.

Diante de tanta trapalhada e decisões equivocadas, temos uma batalha ao lado da população, para fazer nossa cidade voltar a se desenvolver com projetos inovadores, sustentáveis, que garantam qualidade de vida às pessoas.

 

Wagner Balieiro é vereador em São José dos Campos

 

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