Nuvens de obscurantismo pairam sobre a nova era

 


 

A “Reforma da Previdência” agora vem sendo chamada pelo governo de “Nova Previdência”, recurso que busca apartá-la da identificação com a tentativa anterior. A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB – Sessão de São Paulo realizou, no dia 26 de março, audiência pública para discutir a PEC 06/2019, sua constitucionalidade, pertinência, efeitos e consequências. Na semana anterior, em 20 de março, foi reinstalada a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social. É preciso acompanhar e prestigiar estas iniciativas. Como a anterior, esta proposta, se aprovada de reforma, trará retrocesso social, prejuízo ao povo e à economia.

Desde 1988, o projeto PRODES produz as taxas anuais de desmatamento na Amazônia Legal usadas pelo governo para estabelecer políticas públicas. Suas estimativas são respeitadas por cientistas nacionais e internacionais. Concebido e desenvolvido pela pesquisa tecnológica nacional, é alvo neste momento de pesadas críticas. Tudo bem, se estas críticas forem dialogadas com a comunidade científica, para identificar as necessidades de ajustes e aperfeiçoamentos e se seus operadores puderem contar com recursos de investimentos necessários para realizar as eventuais mudanças.

O momento não é favorável. Reduções orçamentárias, mais acentuadas a partir de 2017, têm encolhido a capacidade produtiva das instituições de pesquisa, país afora. O Fórum de C&T tem alertado efeitos catastróficos às instituições de pesquisa, ameaçadas de extinção pelos efeitos Emenda Constitucional – EC 95. As autoridades dos oito minis-térios em que se espraiam as Carreiras de C&T não têm força política para barrar o esvaziamento de recursos humanos ao longo de mais de três décadas. Os gestores dos institutos parecem anestesiados; catatônicos, assistem acirrar contra si as condições que levam ao caos gerencial.

Enquanto a marca desta era parece ser a do retrocesso, para piorar, acumulam-se nuvens de obscurantismo. O negacionismo do aquecimento global contraria evidências científicas dos efeitos destruidores da ação antrópica. Em vez de se atrelar esta constatação a ventos políticos incertos, as autoridades deveriam ouvir os alertas dos cientistas e unir esforços para reverter o quadro de deterioração da vida.

Antes tivemos a questão “Terra Plana”, como se o homem nunca tivesse pisado na lua e, de lá, assistido a terra, bola livre no éter, a girar em torno de si mesma, enquanto viaja à alucinante velocidade em torno do Sol. Breve história desse conhecimento está tratada nesta edição, em face dos 50 anos da conquista lunar, com citações aos heróis sonhadores, inspiradores, idealizadores e realizadores da conquista espacial.

Sonhos não realizados suscitam no ser humano uma vontade incontida, uma sensação de vazio que só se plenifica por meio de uma nova tentativa obstinada, perseverante. O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas – AST e a oferta de aluguel de sítio no Centro de Lançamentos de Alcântara, busca ver fervilhante de atividades aquela privilegiada posição geográfica de acesso ao espaço. O sonho é legítimo e deveria estar sendo realizado pelo Programa Espacial Brasileiro - PEB, mas as iniciativas da AEB para tanto foram tímidas e equivocadas: a Alcântara Cyclone Space – ACS teria sido o auge destas decisões equivocadas, não fosse esta, de alugar a base, ato que só alimenta desconfianças e especulações sobre quais seriam os verdadeiros interesses americanos em ocupar um slot lá. Realidade violenta e brutal é que o PEB morreu na praia. O mais duro é perceber que isso aconteceu em 2003, na explosão do VLS-1 V03.

 

 

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