Pesquisa Científica

Trabalho realizado pelo ITA valida uso de etiquetas de radiofrequência

 

Estudo ajuda a compreender melhor as tecnologias para identificação de peças aeronáuticas

Por Juliane Silveira

Imagine uma grande linha de produção. Para montar um determinado produto, como um carro ou um computador, máquinas automatizadas e funcionários precisam identificar as peças e os componentes corretos. Quando o ciclo de fabricação dura poucos dias ou algumas horas, saber qual é a próxima peça do processo de montagem é simples.

E quando se trata de um avião, cujo tempo de fabricação e acabamento pode durar meses? Como garantir a sequência correta de montagem e a escolha certa das peças? Como rastrear essa peça ao longo do tempo? Para responder a essa pergunta, pesquisadores testam novas formas de identificação de componentes, sempre com o objetivo de diminuir as chances de erros e otimizar o gerenciamento de estoques aeronáuticos.

Esse é o tema do artigo “Minimum Activation Power of a Passive UHF RFID Tags: a Low Cost Method", publicado na edição atual do Journal of Aerospace Technology and Management - JATM por pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA.

Os sistemas de identificação de peças e componentes são essenciais, principalmente pelo volume atual de produtos em circulação no mundo e pela necessidade crescente de rastrear a origem desses itens.

O trabalho avalia a eficácia de leitura em etiquetas RFID UHF passiva, um tipo de identificação por radiofrequência. “Especialmente para o mercado aeronáutico, o RFID apresenta vantagens claras em relação aos tradicionais códigos de barras”, diz Samuel Bloch da Silva, pesquisador colaborador do ITA e líder do estudo.

Considerando que esse tipo de tecnologia funciona a partir de ondas eletromagnéticas, o papel do ser humano está restrito à execução do processo, o que ajuda a minimizar erros e reduzir custos.

“A etiqueta RFID pode ser uma opção de identificação permanente para componentes aeronáuticos em substituição ao código de barras, datamatrix ou qrcode. E a grande vantagem dessa tecnologia está no fato de permitir a leitura à distância”, explica Silva. “Esse tipo de etiqueta, em muitos casos, não é suscetível a sujeira ou rasuras, tem memória regravável para inserção de informações adicionais e vida útil muito superior aos tradicionais códigos de barras”, acrescenta.

O artigo sugere a distância máxima de leitura desse tipo de etiqueta em diferentes superfícies, como plástico, papelão e madeira, a fim de apontar qual é a energia mínima de ativação da etiqueta nos diferentes materiais. “Na prática, o artigo propõe a possibilidade de validação metodológica de uma etiqueta RFID UHF passiva comercial qualquer para aplicação em diferentes componentes aeronáuticos. Isso significa poder calcular a distância máxima de leitura deste componente em campo, a partir da determinação da energia mínima de ativação da etiqueta”, afirma Silva.

 

Samuel Bloch da Silva tem mais de 20 anos de experiência em sistemas e processos de PCP (kanban, MRP) e Logística Industrial (WMS, TMS), com implantações no Brasil e exterior. Trabalhou na Embraer por quase 10 anos onde desenvolveu projetos de P&D para a Diretoria de Logística.

Foi pesquisador sênior no Laboratório de RFID do Flextronics Instituto de Tecnologia em Sorocaba entre 2011 e 2013. É mestre em Engenharia Mecânica pela UNICAMP (2010) com estágio no Laboratório de Auto-ID da Universidade de Cambridge (UK) e doutor em Engenharia Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (2016).

Atualmente é Pesquisador Colaborador no Centro de Competência em Manufatura do ITA, onde desenvolve pesquisas envolvendo a identificação permanente de componentes aeronáuticos fabricados em materiais compósitos por meio de etiquetas RFID.

 

Anderson Ribeiro Correa possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestrado em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (2000) e doutorado em Engenharia de Transportes - University of Calgary (2004) - Canadá. Atualmente é Professor e Reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. É pesquisador do CNPQ. Assessor ad-hoc da CAPES, FAPESP e CNPQ.

Editor Associado da Revista Transportes. Revisor de diversos periódicos nacionais e internacionais. Membro de comitês do Transportation Research Board - USA. Membro do Conselho Deliberativo da ANPET. Trabalhou na McLane Logistics do Brasil, como Gerente de Operações. Foi Superintendente de Infraestrutura Aeroportuária da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo. Foi Pró-reitor de Pesquisa e Relacionamento Institucional do ITA.

Prestou consultoria/assessoria em logística e transportes para as seguintes empresas: Petrobrás, Embraer, BNDES, OACI, TCU e BAA, entre outras. Ministrou aulas e/ou participou como docente em cursos especializados para CENIPA, TCU, Infraero, Embraer, SAC e ANAC. Tem experiência na área de Engenharia de Transportes, com ênfase em Planejamento de Transportes, atuando principalmente nos seguintes temas: aeroportos, transporte aéreo e logística.

 

Julliane Silveira é jornalista científica

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