Pesquisa Espacial

IAE Almeja Lançamento de Microssatélites

 

IAE inicia a contagem regressiva para o lançamento do VS-50
 

Por Shirley Marciano

O Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE abriu contagem regressiva para o lançamento do VS-50, veículo que tem a missão de qualificar em voo os novos motores S50. O lançamento ainda não tem data divulgada, mas as autoridades militares ligadas ao projeto afirmam que acontecerá dentro de um ano, antes do final de 2019.

Se obtiver êxito, o lançamento do VS-50 deverá ser o último passo antes da construção e lançamento do 1° Veículo Lançador de Microssatélite - VLM, principal aposta da pesquisa espacial nacional na área de foguetes, desde 2016, quando o VLS-1 foi oficialmente descontinuado.

“Esse veículo que nós chamamos de VS-50 é o meio do caminho entre o momento que nós estamos agora e o voo do VLM. Hoje estamos planejando todas as atividades para que consigamos colocar este veículo na rampa no final do ano que vem”, disse o Brigadeiro Engenheiro Augusto Luiz de Castro Otero, diretor do IAE.

 

Desenvolvimento

 

Criado no próprio IAE, o projeto do VLM nasceu oficialmente em 2008, quando o instituto procurava uma alternativa ao VLS-1, que pudesse se adequar à demanda crescente por veículos de menor porte.

“Já em 2008, o mundo sinalizava que nós iríamos precisar de veículos lançadores de pequeno porte. Seriam, portanto, veículos mais simples, em comparação ao VLS-1. Então, de 2008 a 2011 nós internamente realizamos diversos estudos, com vistas a produzir um projeto de menor conteúdo tecnológico, mas que pudesse ser viável em um curto prazo”, disse o Brigadeiro.

Em sua primeira idealização, o VLM seria composto pelo motor central do VLS, com poucas alterações. A partir de 2011, porém, o projeto passou a ser desenvolvido em parceria com a Deutsche Zentrum für Luft-und Raumfahrt - DLR (Agência Espacial Alemã), de modo que o projeto do propulsor foi revisto, com a decisão do desenvolvimento do S50.

“Para os alemães, naquela época, o VLM seria um acelerador hipersônico. Ele tinha o objetivo de ensaiar o Shefex III, que era um veículo hipersônico que a Agência Espacial Alemã desenvolvia. Este veículo hoje também está descontinuado. E para nós seria um veículo que permitiria a satelização de pequenos satélites”, afirmou o Brigadeiro.

O VS-50 é um veículo com 12 metros de cumprimento, 1,46 metro de diâmetro e massa estimada em 15 toneladas. Ele possui, em seu primeiro estágio, um motor S50 e, em seu segundo estágio, um motor S44, já utilizado anteriormente no VLS-1.

Para o VLM-1, será acrescido um segundo motor S50. Eles passarão a compor o primeiro e o segundo estágios do foguete e o S44 será o terceiro.

“No acordo com os alemães, ficamos responsáveis por toda a parte propulsiva do veículo. No primeiro e no segundo estágio seria usado o S50 e no terceiro, o S44. Ficamos responsáveis pelos pirotécnicos da rede do veículo e pelas juntas flexíveis. Os alemães ficaram responsáveis por outras partes, como os interestágios, a rede de controle, sistema de atuação da tubeira (que faz o controle do veículo), pela coifa, entre outros”, detalhou Otero.

Os motores S50 estão em produção na Avibras, por meio de contrato assinado com a Fundação de apoio para Projetos de Pesquisa de Ciência e Tecnologia Espacial - Funcate. No contrato está prevista a construção de seis motores, mas já há acerto para a compra de outros dois para completar a missão de lançamento do VLM.

Quando estiver concluído, o VLM deverá atingir cerca de 300 km de altitude, com carga útil (satélite ou experimento) de até 60kg.

“O VLM é um demonstrador de novas tecnologias. O motor dele é um motor diferente, com fibra de carbono, que nós nunca fizemos. Em termos de casca de motor, ele é mais leve. É capaz de levar 12 toneladas de propelente. O S43, a título de comparação, levava algo em torno de 6,5 toneladas”, disse o Brigadeiro.

Se obtiver êxito, o VLM deverá ser a base para o VLX, futuro do projeto de desenvolvimento de foguetes no IAE.

“No Comitê de Desenvolvimento para o Programa Espacial Brasileiro -CDPEB nós criamos um grupo de trabalho para tratar do VLX, que é o veículo que deverá vir na sequência do VLM. Usando dois motores S50 na parte baixa, como boosters, potencializadores.

Ele é um projeto estruturante e mobilizador: estruturante na tecnologia necessária para que a gente progrida para os próximos veículos; e mobilizador na indústria e seus fornecedores, permitindo que a gente chegue em veículos mais interessantes do ponto de vista energético, para que possamos satelizar cargas maiores, em órbitas mais elevadas”, afirmou Brigadeiro Engenheiro Otero.

 

VS-43

 

O Brigadeiro Otero admitiu que o foguete VS-43, que pretendia qualificar o sistema de navegação do VLM (também herdado do VLS-1), foi abortado por falta de recursos.

“O VS-43 foi uma proposta, quando descontinuamos o VLS, para usarmos aquilo que tínhamos em estoque e cumprir uma das missões contidas no Plano Plurianual (2016-2019), que era realizar o voo de qualificação do sistema de navegação. Com um veículo de dois estágios, nós atingiríamos grande parte da missão prevista para o quarto protótipo do VLS [que nunca ficou pronto]. Nós propusemos este veículo, mas infelizmente não tivemos recursos para executar este projeto. Agora vamos qualificar o sistema de navegação também no VS-50”, concluiu.

Compartilhe
Share this