Estudo aponta técnica mais precisa e barata para previsões meteorológicas

Trabalho do Cemaden sugere o uso de radiômetros de micro-ondas

Juliane Silveira

Informações sobre parâmetros da atmosfera, como pressão, temperatura, umidade relativa, vento, entre outros, são fundamentais para diversas atividades do dia a dia, desde a agricultura até a operação de aeronaves, que dependem totalmente de informações sobre possíveis instabilidades que possam causar chuvas ou eventos mais severos.

No Brasil, essas informações são captadas e transmitidas principalmente por radiossondas, dispositivos transportados por balões meteorológicos que contam com um conjunto de sensores que coleta esses parâmetros e transmitem os dados para um receptor no solo. O uso das radiossondas em grandes áreas, entretanto, é caro e complexo, pois é necessário ter várias unidades em muitos locais e em diversos horários.

Por isso, buscam-se alternativas a esse tipo de equipamento. Uma opção é o uso de radiômetros de micro-ondas. Esses dispositivos oferecem medidas de sondagem da troposfera terrestre, a camada da atmosfera mais próxima da Terra, onde se formam as nuvens.

Isso ocorre por meio de radiometria de solo por recepção de micro-ondas, técnica que consegue indicar a presença de água na atmosfera e valores de temperatura em várias altitudes.

O uso desses equipamentos é mais barato do que o de radiossondas e apresenta uma resolução temporal mais alta, isto é, é capaz de emitir os dados em um intervalo de tempo menor do que as radiossondas. Isso pode ser crucial para determinar ou prever alguma condição climática que pode definir uma atividade, como a decolagem de um avião.

A técnica é o foco do artigo “Ground-Based Microwave Radiometer Calibration: an Overview”, publicado na atual edição do JATM (Journal of Aerospace Technology and Management) e escrito por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - Cemaden.

O estudo mostra que o uso dos radiômetros de micro-ondas para sensoriamento remoto tem eficácia provada para várias aplicações: meteorologia, previsão do tempo, telecomunicações, astronomia, validação de dados de satélites e de radares.

Pesquisas que atestam o uso desse tipo de equipamento também contribuem para o desenvolvimento de novos modelos meteorológicos, que podem ser aplicados em dias abertos e também em dias nublados.

“Nossa pesquisa aponta a eficiência do uso de um radiômetro de micro-ondas e que a calibração absoluta do equipamento é um fator vital para seu correto funcionamento”, explicam Marcelo Miacci e Carlos Angelis, autores do estudo.

Biografias dos autores

Marcelo Miacci: Realizou pós-doutorado em meteorologia / senso- riamento remoto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (2012), possui doutorado em Física pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (2007), mestrado em Física pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (2002) e graduação em Engenharia Elétrica/Eletrônica pela Universidade do Vale do Paraíba (1999).

Tem experiência na área de Eletromagnetismo aplicado, com ênfase em Engenharia Aeroespacial, Aeronáutica, Telecomunicações, Sensoriamento Remoto e meteorologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Seção Reta Radar de alvos, Radares de solo e aeroembarcados, interação onda-matéria, materiais absorvedores de micro-ondas, sistemas de coleta de dados, telecomando e telemetria de satélites, radiotelescópios, radiometria de solo, antenas e circuitos ativos/passivos de micro-ondas. Trabalha atualmente no CEMADEN, em Cachoeira Paulista-SP.

Carlos F. de Angelis: é bolsista CNPq de Desenvolvimento Tecnológico e possui graduação em Geografia pela Universidade do Vale do Paraíba (1997), mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (2000) e doutorado em Geografia e Ciências Ambientais - Universidade de Birmingham, Inglaterra (2004).

Tem experiência na área de Geociências e trabalha principalmente com temas ligados ao sensoriamento remoto da atmosfera, radar meteorológico, estimativa de precipitação e Sistemas de Informações Geográficas aplicado à Meteorologia, Meio Ambiente e Desastres Naturais. Atualmente é Pesquisador do CEMADEN. É membro do PMM Science Team da NASA, cujas pesquisas são focadas nos estudos da precipitação.

Julliane Silveira é jornalista científica

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