Recuperado, Observatório Astronômico do DCTA registra recorde de público

Entre 60 e 80 pessoas visitam o observatório semanalmente

Shirley Marciano e Edmon Garcia

Desde que o mundo é mundo, existe uma grande curiosidade para saber o que há nos céus. Os pontos luminosos sempre intrigaram e convidaram o homem a saber um pouco mais sobre o que existe ali e para que serve.

Foi assim que começaram as observações através de lentes que alcançavam as estrelas. Elas foram evoluindo com o tempo e, hoje, sabemos que é possível enxergar planetas e outros objetos que estão a uma longa distância no nosso planeta.

Hoje, muitos meninos e meninas curiosos para conhecer o céu são grandes pesquisadores, aviadores, engenheiros de satélites, de foguetes ou mesmo astrônomos, que buscam entender e explorar um pouco mais da dança dos planetas, desvendar os mistérios do Sol, suas energias, suas funções ou apenas admirar a beleza distante e quase intocável para a maioria dos seres humanos.

Para quem mora no Vale do Paraíba, esse sonho de olhar o céu com uma lente poderosa é muito real, porque existe o Observatório Astronômico do DCTA, uma grande referência no Brasil, disponível em São José dos Campos, interior de São Paulo.

Sem muita repercussão na imprensa, em 2017, o observatório sofreu com um incêndio, que destruiu parte de sua cúpula. Mas, após o susto e por passar por reformas, foi reaberto com força total, tanto que tem registrado um excelente público, com recorde de presença alcançado durante as últimas férias de julho, quando quase 260 visitantes compareceram em uma só noite.

“Nesse dia foi um pouco além e tivemos que pedir para fechar o acesso, porque o lugar não comporta”, disse Elias Lobo, responsável pelo local.

Lobo conta com certa tristeza sobre o acidente que acabou danificando a cúpula no ano passado. “Essa forração [no interior da cúpula] é de papelão e foi isso que acabou queimando, na época em que estavam terminando a obra para recuperar”, disse.

Ainda de acordo com o responsável, a programação educativa, incluída após a reabertura, é um dos fatores que pode estar contribuindo para o aumento dos visitantes. Agora, além de observar astros e estrelas, o programa incluiu uma aula interativa sobre ciências e exploração, que reúnem experimentos, vídeos, fotos, miniaturas e várias outras informações.

Satisfeito com a plena recuperação, Lobo afirma que o local tem recebido bom público, com média entre 60 e 80 pessoas a cada terça-feira, desde que houve a reabertura.

Além dos cursos, a observação dos astros, propriamente dita, pode ser feita pelo telescópio principal, ou pelos demais equipamentos disponibilizados.

O acesso ao observatório é livre, com acesso pela portaria do DCTA, todas as terças-feiras, entre 19h30 e 21h30. Pessoas sozinhas ou grupos pequenos de até 10 pessoas não precisam de agendamento. Grupos maiores ou escolas, devem fazer contato via e-mail ou telefone e podem, dependendo da disponibilidade, visitar o local em outros dias e horários.

Semanalmente, o IAE também publica uma relação dos astros e estrelas mais propícios para a observação semanalmente em seu site (http://www.iae.cta.br/index.php/ceu-da-semana).

História

O observatório foi inaugurado no final dos anos 60 e, à época, foi o maior instrumento astronômico totalmente construído na América do Sul e proporcionou a formação da primeira geração de Astrônomos no Brasil, gerando inúmeras teses de mestrado e graduação, que se encontram na biblioteca do ITA.

O telescópio principal é do tipo Newtoniano/Cassegraniano que proporciona uma observação contínua de um objeto em seu percurso pelo meridiano, muito conveniente para fotografias astronômicas de longa exposição.

É, sem dúvida, um espaço muito atrativo para quem quer saber um pouco mais sobre o que existe no céu. É uma oportunidade única para observar, até onde as lentes alcançam, a grandiosidade que sabemos que existe além do nosso planeta.

A visita ao observatório é gratuita.

Miniobservatório Astronômico do Inpe está fechado para reforma

O miniobservatório do INPE não está recebendo visitas porque encontra-se fechado para reforma do prédio. Lá existe somente um refletor Schimitt, o qual tem capacidade de aumentar em cerca de 400 vezes o objeto. Ele possui um coletor de luz de 28 cm, que concentra luz no seu foco.

O observatório não é aberto ao público em geral. Ele é voltado para atender alunos de pós-graduação e estudantes de astrofísica.

Através dele é possível observar galáxias, como a de Andrômeda, planetas e aglomerados de estrelas. De acordo com Dr. André de Castro Milone, coordenador do observatório, as pessoas gostam de observar a lua por sua qualidade visual, mas também os anéis de Júpter e de Saturno e as calotas polares de Marte, além de aglomerados de estrelas, como o alfa-centauro.

Todas as reformas prediais do INPE estão centralizadas no setor de engenharia. Após a reforma, que deve acontecer até o próximo ano, serão retomadas as visitas didáticas presenciais às quartas-feiras e as remotas às quintas.

 

 

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