Monitoramento da Amazônia, pelo INPE, completa 30 anos

Programa de monitoramento do INPE possui credibilidade internacional

Fernanda Soares

Há 30 anos o INPE realiza, com excelência, o monitoramento do desmatamento da Amazônia, utilizando dados dos satélites LANDSAT-5 (americano), CBERS-2 e CBERS-2B (satélites do programa sino-brasileiro de sensoriamento remoto) e Resourcesat-1 e 2 (indianos).

O projeto PRODES colabora com o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e está inserido como ação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e no Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento na Amazônia (PPCDAM) criado em março de 2004 com o objetivo de reduzir os índices de desmatamento da Amazônia Legal Brasileira.

O objetivo do projeto PRODES é identificar e mapear os desmates de áreas com vegetação nativa e, dessa forma, ser a base para as ações de fiscalização, controle e combate aos desmatamentos ilegais. A partir desses mapeamentos, são estimadas taxas de desmatamento.

De acordo com Cláudio Almeida, Coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas Brasileiros (PAMZ+), “as estimativas do PRODES são consideradas muito confiáveis pela comunidade científica nacional e internacional. Esse sistema tem demonstrado ser de grande importância para ações e planejamento na Amazônia tanto de políticas públicas, como de iniciativas privadas, voltadas para o rastreio da origem de produtos do Agronegócio, como por exemplo a Moratória da Soja e o TAC (Termo de Ajuste de Conduta) da Carne.”

A maior parte do desmatamento na Amazônia ocorre na estação seca, entre junho e setembro, que é também quando se tem uma maior disponibilidade de imagens sem cobertura de nuvens. Considerando essa particularidade, o PRODES tem uma sistemática de funcionamento bem estabelecida. Uma estimativa da taxa para o ano é divulgada no mês de dezembro e os dados consolidados são apresentados no primeiro semestre do ano seguinte.

Esse trabalho sistemático resultou em um grande banco de dados geográfico, que cartografa a supressão da cobertura natural da área nos últimos 30 anos. Essa série histórica, consistente, coerente e isenta é de grande valor.

Os dados gerados pelo PRODES podem ser usados para mensurar as emissões de gases de efeito estufa por conversão da vegetação natural em outros usos da terra. Uma informação crucial para orientar as políticas de Mudança do Clima que visam cumprir as metas voluntárias de redução gradativa de emissões de gases de efeito estufa até 2020, assumidas pelo Governo Brasileiro no final de 2009.

A partir da experiência do PRODES dois outros projetos para monitoramento da Amazônia foram desenvolvidos, com objetivos distintos e complementares: o DETER – Detecção do Desmatamento em Tempo Quase Real e o TerraClass – Classificação do Uso das Terras Desmatadas.

O DETER, executado pelo INPE desde maio de 2004, faz um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia. Enquanto o PRODES realiza o cálculo anual de toda a área desmatada, o DETER se propõe a realizar uma observação diária,voltada para as ações de controle e prevenção de ações ilegais antes que elas se tornem desmatamentos irreversíveis, ou de grandes extensões. Os alertas do DETER são automaticamente disponibilizados ao IBAMA, onde são usados para orientar ações de fiscalização, muitas vezes enviando equipe de fiscalização, autuando os responsáveis pelo desmatamento e até efetuando prisões, quando devidas.

Já o TerraClass se propõe a qualificar o que aconteceu nas áreas desmatadas nos anos subsequentes a sua detecção pelo PRODES, produzindo mapas sistêmicos de uso e cobertura das terras desflorestadas da Amazônia Legal Brasileira. Com isso fornece subsídios importantes para o melhor entendimento das formas de uso e cobertura da terra na região.

Todos os projetos citados baseiam-se em técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento. O sucesso desses projetos pode ser atribuído a três fatores principais: alta disponibilidade de imagens, domínio dos métodos de sensoriamento remoto, domínio sobre as ferramentas de software especializadas para essa atividade.

O INPE foi a instituição pioneira no mundo a adotar uma política de acesso livre a imagens de sensoriamento remoto, no que foi seguida por outras agências provedoras de imagens do mundo; o INPE possui um curso de pós-graduação em Sensoriamento Remoto nota 7 da CAPES e é responsável por um conjunto de softwares de geoprocessamento, desenvolvidos na instituição e disponibilizados a toda comunidade interessada.

Por uma questão de respeito à soberania nacional de outros países, o INPE só realiza o monitoramento da Amazônia brasileira. Entretanto, através de cooperação com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, todo o conhecimento desenvolvido no INPE ao longo dos últimos 30 anos tem sido oferecido a outros países vizinhos. O INPE fornece as imagens e os softwares desenvolvidos, além de treinamento para os técnicos, para que cada país possa efetuar seu monitoramento.

“O INPE é o estado da arte nesse tipo de monitoramento. São 30 anos realizando esse trabalho, com uma boa reputação nacional e internacional. O INPE não é o órgão responsável por combater o desmatamento na Amazônia, somos cientistas e provedores do melhor dado possível. Uma das nossas características é a isenção com relação a governos ou agendas políticas, por isso temos uma grande credibilidade”, finaliza Almeida.

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica - OTCA surgiu em decorrência do Tratado de Cooperação Amazônica em 1978 e pretende proporcionar a preservação do patrimônio natural da Amazônia através dos princípios de desenvolvimento sustentável. Seus países-membros são: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

 

 

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