Projeto de Monitoramento Ambiental por Satélite no Bioma da Amazônia

Pesquisa analisa a questão socioambiental no Amazonas

Shirley Marciano

Encerrado em agosto, após quatro anos de pesquisa, o Projeto de Monitoramento Ambiental por Satélite no Bioma da Amazônia -MSA teve como objetivo apoiar o desenvolvimento de estudos sobre usos e cobertura da terra no bioma Amazônia, bem como a ampliação e o aprimoramento do monitoramento ambiental por satélites, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE.

Financiado pelo BNDES, o MSA foi dividido em sete subprojetos:

1. Mapeamento do Uso e Cobertura da Terra na Amazônia Legal

2. Aprimoramento do Software TerraAmazon

3. Melhoria dos Serviços de Recepção, Distribuição e Uso das Imagens de Sensoriamento Remoto do INPE

4. Aprimoramento do Monitoramento de Focos de Queimadas e Incêndios Florestais

5. Estudo das Trajetórias de Padrões e Processos na Caracterização de Dinâmicas do Desmatamento na Amazônia

6. Disponibilização de Ferramentas de Modelagem de Mudanças de Uso da Terra

7. Melhoria dos Métodos de Estimativa de Biomassa e de Modelos de Estimativa de Emissões por Mudança de Uso da Terra

O Jornal do SindCT entrevistou a pesquisadora Maria Isabel Sobral Escada, coordenadora do Subprojeto 5. Este subprojeto teve como objetivo promover a análise e descrição de diferentes padrões espaciais de desmatamento e de sua evolução na Amazônia, caracterizando componentes relacionados com uso e cobertura da terra e as dinâmicas das fronteiras de ocupação da Amazônia, a População e os assentamentos humanos, e dinâmica e composição das massas d´água.

SindCT - Como vocês trabalharam nessas regiões que sofreram degradação?

A gente coleta dados, refina essas informações e depois vai a campo para conversar com as pessoas, para tentar entender melhor como são essas dinâmicas e a relação entre as comunidades. Temos um olhar para a paisagem e para a imagem, mas articulamos essas informações com os dados coletados no campo, com o modo de vida das pessoas.

Identificamos o que estão produzindo e como são seus sistemas de produção, além de como essas pessoas estão em termos sociais, com relação a saúde, educação, transporte e infraestrutura. Temos usado todo esse arsenal de dados para entender esse sistema socioambiental, porque a questão ambiental não se sustenta se você não pensar no social. Se você não observar a sustentabilidade econômica, como será possível convencer alguém que não pode cortar aquela madeira e vender para o madeireiro? Se ele não tem o que comer, fica difícil argumentar.

SindCT - O estudo ficou restrito somente à Amazônia?

Trabalhamos em alguns lugares que apresentam uma dinâmica incomum e têm sistemas econômicos bem diferenciados. Existem regiões que sofreram degradação florestal, da extração seletiva de madeira, que são os casos de Sinop, que fica no Mato Grosso, e de Novo Progresso, que fica na região do Pará. Hoje, nessas áreas tem a expansão da soja e de alguns planos de manejo. Novo Progresso é uma nova fronteira de desmatamento e de ocupação. A soja está começando a se expandir para essa área, porque foi asfaltada a BR 163 recentemente e também porque tem o Porto de Itaituba que escoa a produção que vem do Mato Grosso.

SindCT - Através dos dados obtidos pelo satélite, é possível verificar todas as movimentações que ocorrem nessas regiões?

Há um problema com os dados que a gente produz na região do sudoeste do Pará, que pega Santarém, Belterra e a região da Transamazônica. Não conseguimos detectar a produção de pequena escala, a agricultura familiar. Esse cultivo é importante porque determina a subsistência e acaba produzindo alimentos para as cidades.

Se o monitoramento da agricultura familiar já é difícil, o das atividades extrativistas tem dificuldade ainda maior. Isso ocorria, principalmente, devido a uma baixa resolução das imagens de satélite. Agora estamos utilizando imagens com maior resolução, fornecidas pelo Ministério do Meio Ambiente. Estamos mapeando esse tipo de sistema produtivo, porque essas pessoas e suas atividades estão invisíveis no momento e, se não aparecem, não tem políticas públicas para elas.

SindCT - E como estão as áreas Ribeirinhas?

Nas áreas ribeirinhas, mesmo em terra firme, como na região de Santarém ou na Transamazônica, os moradores têm uma vida diferente. Muitos deles estão dentro de reserva. Em Arapiuns, além da redução da pesca, a seca limita o acesso às comunidades, porque os bancos de areia impedem a navegação e os moradores têm que caminhar para levar o seu produto à cidade. Por conta dessa sazonalidade, existe uma certa dificuldade no escoamento dos produtos, principalmente os que não têm acesso por estrada. Quanto mais remoto o lugar, mais dificuldade terão, porque é preciso pagar para transportar no barco de linha.

SindCT - O que fazem os ribeirinhos nos períodos em que a pesca é proibida?

No nordeste do Pará, temos ilhas onde tem uma população ribeirinha que vive do extrativismo do açaí e da pesca. Eles recebem Defeso, uma assistência do governo federal durante o período em que a pesca é proibida. Mas tem também o açaí, que possui um mercado importante em Belém, além do mercado local.

 

 

Compartilhe
Share this
Edições Anteriores