Diretor do INPE nega pedido do CTC para reabertura de processo

 

Shirley Marciano

Na 71ª edição do Jornal do SindCT, tratamos da divergência, por parte da comunidade que utiliza o modelo BRAMS de previsão regional do tempo, com a mudança definida pela direção do CPTEC-INPE, de substituição do BRAMS pelo americano WRF.

Entenda: https://goo.gl/v8FeHj

A polêmica foi tão grande que chegou à reunião do Conselho Técnico-Científico - CTC do INPE. Os membros do CTC, em reunião ocorri- da no dia 14 de agosto, disseram que a principal contestação foi a forma como o processo foi conduzido. Não teria havido debate suficiente para que a mudança ocorresse. Além disso, consideraram que a comparação entre os dois modelos, realizada pela coordenação do CPTEC, não levou em consideração todos os parâmetros. Assim, o CTC pediu reabertura do processo.

Na mesma reunião, Divino Moura, coordenador do CPTEC, disse que os estudos de comparação entre os modelos deixaram claras as vantagens do modelo WRF sobre o BRAMS e o ETA (outro modelo testado). Ele conclui que as críticas junto à comunidade usuária deste modelo teriam surgido por indução de pessoas do CPTEC interessadas na manutenção desses modelos, o que, segundo ele, poderia ser comprovado observando-se a semelhança dos textos das mensagens. Por fim, o diretor do INPE e o coordenador do CPTEC negaram a reabertura da discussão.

Numa carta enviada ao Diretor do INPE, Ricardo Galvão, em 11 de setembro, assinada por Saulo R. Freitas e Karla M. Longo, usuários do BRAMS, afirmam que o relatório dos testes de avaliação apresentam contradições. Também destacam a questão da soberania. “O ponto focal da discussão aqui deveria ser a independência técnico-científica em modelagem e previsão numérica da atmosfera e suas interfaces, que o INPE tem como uma das suas razões de existência. Instalar o modelo computacional WRF e rodá-lo operacionalmente não é uma medida de sucesso para um centro de previsão do tempo.”

 

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