Novos usos para POMA e negro de fumo

POMA E NEGRO DE FUMO REDUZEM INTERFERÊNCIAS SEM AUMENTAR PESO DOS EQUIPAMENTOS

Por Juliane Silveira

Quando se começou a estudar, na década de 1930, os materiais absorvedores de radiação eletromagnética (conhecidos no meio acadêmico pela sigla MARE), o objetivo era encontrar materiais que, quando aplicados em alvos, os tornassem menos percebidos pelos radares, ou seja, 'invisíveis' aos radares. Essa tecnologia é muito útil na fabricação de veículos militares, por exemplo, especialmente de aeronaves.

Os pesquisadores não poderiam imaginar que essas pesquisas seriam úteis ainda no século 21, após a criação de diversos equipamentos eletroeletrônicos, como telefones celulares, antenas de radiotransmissão, marcapassos e equipamentos médicos. Assim como os radares, esses dispositivos utilizam ondas eletromagnéticas na escala de GHz e podem sofrer interferências de outras fontes eletromagnéticas, tendo seu funcionamento comprometido. A proposta de quem estuda o assunto é encontrar aditivos – ou misturas deles – que possam ser utilizadas na fabricação de MARE para diminuir ou neutralizar as interferências eletromagnéticas.

Esse é o tema do artigo "Performance Prediction of Microwave Absorbers Based on POMA/Carbon Black Composites in the Frequency Range of  8.2 to 20 GHz", publicado na edição atual do JATM (Journal of Aerospace Technology and Management) por pesquisadoras do Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA e do Instituto de Ciência e Tecnologia - ICT da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp, campus de São José dos Campos.

Para desenvolver o trabalho, as pesquisadoras Mirabel Cerqueira Rezende e Simone de Souza Pinto analisaram o comportamento do polímero poli(o-metoxianilina), também conhecido pela sigla POMA, e do negro de fumo. A POMA é um material utilizado em estudos de filmes finos protetores contra corrosão, catálise, materiais de eletrodo de baterias, biossensores e sensores. Já o negro de fumo são partículas pretas à base do elemento carbono e geralmente disponíveis em forma de um pó muito fino. É comumente usado na fabricação de pneus e de tintas para impressoras.

“A POMA e o negro de fumo, quando adequadamente combinados, resultam em MARE que atuam com boa eficiência na atenuação da radiação eletromagnética. Esse material apresenta a vantagem, em relação aos absorvedores baseados em aditivos magnéticos, como as ferritas e a ferrocarbonila, de apresentarem menor densidade” afirma Simone Souza Pinto, autora principal do estudo.

O fato de apresentarem menor densidade e elevada eficiência, como conclui o artigo, torna sua obtenção bastante relevante. “Quando a ideia é atenuar a radiação eletromagnética indesejada, sem acrescentar muito peso ao equipamento, o uso desses absorvedores é uma boa opção”, explica.

Isso quer dizer que esses materiais podem ser aplicados na fabricação de equipamentos vulneráveis à interferência eletromagnética, como os telefones celulares, antenas transmissoras de sinais para TV e até mesmo satélites.

O artigo ainda sugere as espessuras mais adequadas dos materiais estudados, visando aumentar a eficácia do material na atenuação de micro-ondas. O desenvolvimento de pesquisas como esta ajuda a melhorar a eficiência de dispositivos eletroeletrônicos, sem a necessidade de aumentar seu tamanho ou peso, o que é crucial para as novas tecnologias, apresentadas em equipamentos cada vez menores.

 

Juliane Silveira é jornalista

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