Uma breve retrospectiva

 

Esta edição enseja as lembranças de várias datas importantes, a começar pelo 29º aniversário do SindCT. Desde a sua fundação, temos passado por grandes dificuldades, dos arrochos salariais dos governos duros a momentos gloriosos, de recuperação da autoestima, em governos mais progressistas.

As Carreiras de C&T completam 25 anos da sua criação, consequência do ativismo da união associativo sindical que veio a constituir o Fórum Nacional das Entidades Representativas das Carreiras de C&T, espaço democrático de convergência dos interesses dos servidores de 23 órgãos de fomento e pesquisa públicos.

Há 10 anos, acontecia a grande vitória da campanha negocial de 2008, que pôs fim a 12 anos de arrocho salarial. Para repor as perdas inflacionárias acumuladas, foi preciso dobrar os salários. Nesta mesma campanha, se conquistou a atual estrutura das carreiras, com os novos formatos de gratificações, RT e GQ.

Infelizmente, também recordamos os 15 anos da explosão do VLS, no Centro de Lançamento de Alcântara. Vinte e um colegas foram transformados em monumento no Memorial Aeroespacial Brasileiro – MAB. Suas vozes ainda podem ser ouvidas, na salva de vinte e um tiros de morteiros, às 13h26 de cada dia 22 de agosto, no Campus do DCTA e vizinhança. Protagonistas de um sonho, um ideal, uma inocência, de uma imaturidade em busca de realização, escolhidos pela trama da vida para estarem ali. Ironicamente, se o desfecho da operação São Luiz tivesse sido outro, se o VLS tivesse subido com atitude e determinação, estes irmãos teriam voltado anônimos, felizes e aliviados, plenos da sensação da missão cumprida. Definitivamente “servos inúteis”, teriam apenas cumprido a obrigação profissional, a qual se paga com o salário mensal e, quando muito, com alguma medalha. Seguiriam heróis de seus filhos, de suas esposas e de seus amigos.

Mereciam que o programa VLS os tivesse honrado com a continuidade, mas esse projeto de alcançar o espaço acabou. Acabou o VLS, mas não o sonho dos nossos servidores, apesar das dificuldades dos tempos atuais.

Estamos nos aposentando e não há reposição de pessoal. Em dois anos, seremos tão poucos que não conseguiremos concluir mais nenhum projeto. Isso está acontecendo em todas as instituições de pesquisa. Pior agora, que o governo Temer reduziu o orçamento da Ciência e Tecnologia e o congelou por 20 anos! Nenhuma instituição pública de pesquisa sobreviverá se não for revogada a Emenda Constitucional 95.

A única forma de fazer isso, é com nosso voto. Pensem muito antes de ir às urnas nessas eleições. Leiam atentamente os projetos de governo dos candidatos e cobrem do eleito.

Não vamos cair mais uma vez em “Ponte para o Futuro”, que só produziu desastre: vinte e oito milhões de desempregados ou subempregados, educação, saúde e C&T congelados por vinte anos; perdemos os royalties do Pré-Sal, que, indo para a educação, produziriam uma enorme revolução virtuosa.

A “pinguela” para o passado ainda pode aprovar a reforma da previdência (PEC 287/2016), no tempo de rapinagem que resta a este bando de gafanhotos, que seguirá pilhando o país até 31 de dezembro. Atrás dele já se vê a devastação: empobrecimento, retirada de direitos, exploração do povo e venda de tudo o que podem, num grande feirão, a preços de banana. A reforma trabalhista já aprovada, que prometia mais emprego, só produziu precarização das condições de trabalho e incluiu o Brasil na “lista suja” da Organização Internacional do Trabalho. Ah, produziu também a destruição do serviço público, sob os aplausos dos tolos e incautos, que não percebem que o governo já é menos do que mínimo.

Nunca os sindicatos e as formas de representação social foram tão necessários quanto agora. Parabéns SindCT!

 

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