INPE promove curso gratuito na área de Introdução às Tecnologias Espaciais

Por Shirley Marciano

Entre os dias 10 e 26 de julho, foi realizada a 14ª edição do Curso de Inverno de Introdução às Tecnologias Espaciais. O evento, promovido anualmente pelo Instituto de Pesquisas Espaciais - INPE, é gratuito e tem como público-alvo os alunos de graduação de todo o Brasil.

O curso é dividido em duas fases: a primeira, com duração de duas semanas, é composta por palestras teóricas; e a segunda, com duração de uma semana, é composta por miniestágios práticos e visitas técnicas. A programação prevê atividades de introdução às áreas de engenharia de sistemas, satélites e seus subsistemas, montagem, integração e testes, veículos lançadores, aplicações, ambiente espacial, história, economia e direito espacial, totalizando 42 palestrantes e 33 monitores de miniestágios.

"É a primeira vez que sou coordenador desse curso, antes eu só dava aula. Então, dessa vez, implementamos diversas pequenas mudanças. Investimos bastante em divulgação, mas o mais importante é que mudamos o formato das palestras para dinamizar. Passamos de duas para uma hora. A ideia é não entrar em detalhe e sim dar uma passada geral. Com isso, dobrou o número de palestras e diversificou mais”, explica Gino Genaro.

Esse ano foram disponibilizadas 70 vagas para o Curso de Inverno. As inscrições puderam ser realizadas pelo site do INPE e a seleção ocorreu pela ordem cronológica de inscrição. Para participar desse curso anual, é necessário que o aluno esteja regularmente matriculado em qualquer curso de graduação, não necessariamente engenharia.

Apesar de o curso ser aberto a estudantes das várias áreas do conhecimento, pela natureza de sua programação, 94% dos selecionados são ligados a cursos da área de exatas, em particular de engenharia aeroespacial ou aeronáutica. A participação de mulheres é expressiva, 38%, possivelmente um percentual próximo ao de matriculadas em cursos de engenharia. A maioria dos inscritos são da região sudeste, com 60%, e Sul, com 18%.

Para Sabrina Lúcio, estudante de Engenharia Aeronáutica, da Universidade de Taubaté, o curso é muito interessante: “Estou adorando. Me dá uma outra perspectiva, porque eu estudo a tecnologia do avião e aqui o assunto é espaço. Depois de conhecer um pouco mais sobre a área, me balançou muito para saber mais”, afirmou.

“Estou realizando um sonho. Na verdade, sempre quis conhecer o INPE, porque amo a área espacial e, por isso, consumo muito material sobre esse assunto. Estou sempre lendo e vendo documentários. Para mim, todo dia é bem emocionante. Conhecer os profissionais da área é uma satisfação também. E me vejo vindo para cá. Tenho muito interesse na parte de engenharia de sistema. Aqui é como a NASA do Brasil”, disse Cristthian Arpino, estudante de Física, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Genaro ressalta que outra inovação do curso foi o apoio técnico ou financeiro da Associação Aeroespacial Brasileira - AAB e das empresas Fibraforte, Orbital, Visiona e CACI, todas ligadas ao setor espacial. “No aspecto financeiro, este apoio possibilitará fornecer aos alunos mais conforto (coffee-breaks, pasta, crachá) e acesso ao conteúdo didático do curso (Handbook). No aspecto técnico, estas empresas nos apoiam cedendo licenças de software aos alunos e abordando suas experiências na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, bem como as possibilidades profissionais para os recém-formados que desejam atuar no setor".

Ao final do curso, o aluno recebe um certificado oficial, assinado pela direção do INPE. O documento é registrado, ou seja, possui validade em todo o território nacional e é aceito como crédito de carga horária extracurricular em universidades; provas de títulos; preenchimento de exigências em Concursos Públicos; processos de recrutamento e seleção; promoções internas nas empresas; seleções de mestrado e doutorado; gratificações adicionais, de acordo com plano de carreira; e valorização do currículo. Para receber o certificado, o aluno deve ter, no mínimo, 80% de participação no curso, além de realizar duas provas conceituais de múltipla escolha ao final de cada semana de aula.

A coordenação ratifica que esse curso, assim como os demais cursos promovidos pelo INPE, visam, principalmente, disseminar o conhecimento para a sociedade, o que é um dos papéis do Instituto. Além disso, proporciona uma oportunidade para que os alunos conheçam o que é desenvolvido no INPE e os incentiva tanto a fazer mestrado e doutorado nessa área, como a prestar concurso para trabalhar no órgão.

“A área que estudo tem uma ligação muito forte com o curso, no que diz respeito ao tratamento e disponibilização dos serviços de dados, que são obtidos dos satélites. O meu interesse maior é saber como é feito o processamento de dados de sensoriamento remoto, processamento de imagens e quais são os protocolos principais para fazer o envio de dados. Aqui é um ambiente incrível. Depois que conheci, fiquei interessada em fazer uma pós-graduação nessa área”, ressalta Letícia Coelho, aluna do curso de Engenharia de Telecomunicações, do Instituto Federal de Santa Catarina.

 

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