Pesquisa Científica

ESTUDO INDICA MODELOS PARA SE PREVENIR INTERFERÊNCIAS NO GPS 

 

Pesquisadores do IEAv e ITA sugerem formas de diminuir interferências no GPS

 

 

Por Julliane Silveira

 

Há alguns anos, a marinha dos Estados Unidos realizou um exercício militar de treinamento de guerra eletrônica. Durante o treino, o sinal de GPS foi bloqueado acidentalmente na cidade de San Diego, na Califórnia. O resultado? Telefones celulares pararam de funcionar, os caixas eletrônicos dos bancos não respondiam e controladores de tráfego aéreo e marítimo perderam seus sistemas de informação.

A verdade é que o avanço da tecnologia faz com que as pessoas se tornem cada vez mais dependentes do GPS (sistema de posicionamento global), ainda que não percebam. A interferência no sinal pode afetar diversas atividades do dia a dia. Por exemplo, o GPS é usado para a sincronização de operações financeiras, em sistemas de distribuição de energia e na agricultura.

“São sistemas críticos para as nações”, diz Lester Faria, diretor do Instituto de Estudos Avançados - IEAv e autor principal do artigo “GPS Jamming Signals Propagation in Free-Space, Urban and Suburban Environments”, publicado na revista JATM (Journal of Aerospace Technology and Management).

Por esta razão, é preciso entender cada vez mais a vulnerabilidade desses sistemas a ataques e interferências eletrônicas e determinar seu grau de dependência. Com isso em mente, a equipe de pesquisadores do IEAv e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA avaliou neste trabalho a atuação do GPS em diversos ambientes (urbanos e rurais) e a vulnerabilidade do sistema a interferências de diversos tipos.

Com as informações em mãos, os pesquisadores estabeleceram fórmulas e modelos de propagação capazes de minimizar e evitar interferências nos sinais em ambientes complexos, como nas grandes cidades e seus arredores. “Por meio de várias simulações, indicamos uma modelagem que pode ser aplicada em sistemas complexos, a fim de prevenir problemas causados por interferências”, explica Faria.

Isso porque as principais pesquisas na área costumam avaliar o risco de interferência em espaços abertos e livres, que fogem um pouco da realidade da atuação dos sistemas, frequentemente aplicados nos grandes centros, onde o risco de interferência é maior. “O artigo apresentou uma modelagem aplicável a esses ambientes e, por meio dos resultados dos experimentos de simulação, concluiu-se que o modelo de propagação em espaço livre é incapaz de dimensionar a eficácia da interferência em ambientes complexos”, conta Faria. “Nesse cenário, o risco é bem mais complexo de calcular, mas pode ser bem aproximado pelo modelo utilizado neste artigo e pelos resultados apresentados”, complementa.

Pesquisadores e desenvolvedores de sistemas baseados em GPS podem usar esses modelos para se prevenir de invasões no sistema, tanto para aplicações cotidianas quanto para evitar problemas na segurança do país, em nível militar.

Ainda que tenha começado como um projeto militar nos Estados Unidos, há quatro décadas, o GPS se revela como uma tecnologia crucial, com aplicações amplas, que afetam diretamente a vida das pessoas. Por esta razão, estudos que meçam sua vulnerabilidade e proponham medidas para evitar problemas e interferências nos sinais são essenciais para a manutenção de atividades que vão desde o uso de drones até a sincronização dos relógios do celular.

 

O artigo está disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jatm/v10/2175-9146-jatm-10-e0618.pdf

 

 

Lester de Abreu Faria é Doutor em Engenharia Eletrônica (ITA), com foco em circuitos integrados criogênicos para aplicações em fotodetectores infravermelhos, no qual foi merecedor do Prêmio de Melhor Tese de Doutorado do Brasil pela SBMicro/CEITEC SA.

Trabalhou como engenheiro das aeronaves F-5 (Northrop), C-295 (EADS-CASA) e DHC-5 Buffalo (De Havilland - Canadá), tendo participado da modernização do F5 (EMBRAER). Dois anos de experiência na República da África do Sul (Denel Dynamics - Detek), onde trabalhou com projeto, teste e integração de detectores infravermelhos Bicolores para mísseis de 5ª geração (A-Darter). Trabalhou, ainda, como Gerente Técnico de Projetos Estratégicos da FAB, incluindo a modernização da aeronave AEW&C E-99M, desenvolvimento de um sistema Enlace de Dados Seguros segundo o Conceito do SISCENDA (Sistema LINK-BR2) e Projeto de Modernização da aeronave de Patrulha P-3.

Atualmente é o Diretor do IEAv, no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial - DCTA, e Professor Adjunto do ITA.

 

Compartilhe
Share this