Dia do Trabalhador

OS ALGORITMOS TENDEM A SER OS TRABALHADORES DO FUTURO 

As máquinas e a inteligência artificial substituirão o Homem?

Será possível conciliar o avanço tecnológico sem causar desemprego?

Da redação

Será possível afirmar que os programadores, junto a uma equipe multidisciplinar, consigam desenvolver modelos matemáticos (algoritmos) para substituir o trabalho físico, intelectual e cognitivo do Homem? Na realidade, isso já acontece numa escala crescente. No entanto, o que ainda não sabemos é em que medida isso poderá afetar as nossas vidas e como se redefinirá o mercado de trabalho.

A inteligência artificial seria a criação de programas de computador, dotados de informações probabilísticas preestabelecidas, que possam embasar uma tomada de decisão, que será realizada pelo próprio computador. Inclusive, esse assunto não está tão fora do nosso dia a dia, pois o Laboratório Associado de Computação Matemática Aplicada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desenvolve modelos matemáticos nesse campo, que são utilizados em grande parte ainda para estudos, mas já há aplicações.

As máquinas substituindo o homem em várias áreas, em especial nas grandes indústrias —que empregavam milhares de pessoas— já faz parte do nosso cotidiano, mas, há muitos anos, este assunto vem sendo debatido através de livros, teses e até encontrou espaço na 7ª arte. Em 1968, o conceituado cineasta americano, Stanley Kubrick, lançou o filme 2001 uma Odisseia no Espaço, obra pioneira de grande sucesso, numa época em que industrialização nos EUA já havia sido consolidada e também expandido para o mundo.

O processo de transferência das funções das mãos humanas para máquinas nunca foi uma mudança natural, porque continua sendo um grande dilema na nossa sociedade: será possível conciliar o avanço tecnológico sem causar desemprego? No curto prazo, já temos uma resposta, porque ela está acontecendo aqui e agora. Sim, as pessoas perdem mesmo os seus empregos, como é o caso dos cobradores de ônibus. Eles estão sendo substituídos por catracas eletrônicas, que cobram pelos cartões magnéticos. Portanto, a dúvida recai sobre o futuro: até lá estaremos preparados para uma nova configuração no sistema de trabalho?

Atualmente, a tecnologia (a favor do capital) vem ganhado as batalhas e os governos têm feito pouco ou quase nada para mitigar os impactos. Poderia se antecipar para recolocar esses trabalhadores do mercado, por exemplo. Mas, muito antes da Revolução Industrial, em 1589, William Lee, inventou uma máquina de tear automática, para substituir o trabalho manual de confecção de meias de algodão. Por esse feito, foi expulso da Inglaterra, porque o governo acabou cedendo a uma pressão organizada pelas associações têxteis. Elas temiam a ocorrência de desemprego em massa. Muito depois, o economista britânico, que teve forte influência na macroeconomia ocidental, John Maynard Keynes (1883-1946), deu até nome ao fenômeno: 'desemprego tecnológico'.

Um estudo publicado em 2013 pelos professores Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, da Oxford University (https://goo.gl/AEWyh7), analisou 702 profissões nos EUA, para verificar quais delas seriam possíveis informatizar e, por consequência, não precisar mais do homem. O estudo revelou que 47% podem ser substituídas pelo computador. O estudo apontou também que tem uma tendência maior para substituir trabalhadores com menos escolaridade e com salários mais baixos, mas que também avança para áreas mais complexas, como tradução de textos e diagnósticos de doenças.

A principal razão para a automação e a ditadura dos algoritmos ser um risco para tantas profissões é simples: como os custos da computação continuam a cair e o desenvolvimento da inteligência artificial avança a passos largos, a informatização é vista como alternativa mais barata, em comparação com a força de trabalho humana. Então, num mundo onde o capital é que determina os nossos caminhos, não haverá como questionar, menos ainda barrar, o avanço da tecnologia que desemprega e amplia a capacidade de lucro dos empresários.

É evidente que não se pode encarar a tecnologia como um problema. Ela não é um mal em si. Muito pelo contrário, pois ela traz diversos benefícios à sociedade. Além disso, a Engenharia e a Ciência são relativamente imunes a automação, principalmente pelo alto grau de criatividade e inteligência requeridos. Porém, exercícios de futurologia sobre a evolução da tecnologia existem há décadas e, há décadas, eles costumam errar o alvo. Novas profissões surgirão, mas serão exigidas muito mais criatividade e flexibilidade, características humanas que os algoritmos ainda têm dificuldade em reproduzir.

Um trabalhador com alto risco de substituição não perderá, necessariamente, o emprego, mas seu horizonte profissional será limitado. O salário tenderá a subir menos, pressionado pela possibilidade de substituição por máquinas ou por colegas de profissão recém-desempregados. “Acabou-se o tempo em que um profissional ficava de 20 a 30 anos na mesma carreira”, explica Frey, em um dos trechos de sua pesquisa.

O LinkedIn, rede de contatos profissionais com cerca de 260 milhões de usuários, pesquisou as dez profissões que mais cresceram desde 2008. Oito envolvem programação de sistemas e formas criativas de aproveitar a torrente de informações disponíveis.

Assim, ficamos aqui com a questão formulada por Harari: Quando algoritmos desprovidos de mente forem capazes de ensinar, diagnosticar e projetar melhor do que os humanos, o que sobrará para fazermos? (Harari, Yuval Noah. Homo Deus: Uma breve história do amanhã).

 

*Colaborou Shirley Marciano

 

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