Aposentadoria

BRASILEIROS APOSENTADOS DESCOBREM OPORTUNIDADE PARA VIVER EM OUTRO PAÍS 

Países europeus atraem aposentados de todo o mundo

Frequentemente ouvimos colegas falar de seus projetos futuros, dentre eles situa-se desfrutar de um ano sabático. Como grande parte de nossos amigos já se encontra no gozo de aposentadoria, que tal unir um antigo desejo com uma pitada de aventura? Muitas cidades da Europa, com população se extinguindo, estão tentando atrair moradores com diversos incentivos.

Candela, no sul da Itália, por exemplo, ofereceu uma oportunidade para estrangeiros, pagando 800 euros mensais para solteiros e 1.200 euros para casais sem filhos (oferta se extinguiu em 31/12/2017).

Com o mesmo intuito, Portugal propôs um regime de livre autorização de residência, ou seja: brasileiros têm permissão para viver em Portugal apenas pelo fato de serem brasileiros. Mas não só aposentados estão sendo atraídos para este novo eldorado, também famílias com filhos pequenos, jovens estudantes de mestrado e doutorado, profissionais bem qualificados, brasileiros com nacionalidade portuguesa, que fogem da violência urbana, buscam novas oportunidades e mais qualificação profissional e acadêmica.

A aposentada Silviamar Freire se interessou pela aventura de viver em Portugal. No país há 3 anos, considera que a vida lá lhe traz segurança e tranquilidade. Ela afirma ter uma vida boa, vivendo apenas de sua renda de aposentada, e não faz planos de voltar a morar no Brasil. “Pretendo ficar aqui em Portugal onde estou legalizada e como residente. Volto ao Brasil sempre que posso, para rever a família e amigos.”

 

A experiência de um jovem migrante brasileiro

Por Leonardo Batista

Não vou romantizar. Este artigo tem como objetivo trazer a realidade em algumas palavras sobre a vida de um brasileiro com dupla cidadania que buscou uma oportunidade de mudar de vida. Quero demonstrar que minha vida também piorou em alguns sentidos, porém, entre os prós e contras, já faz 3 anos que escolhi Londres como o lugar onde quero viver por muito tempo.

Essa história começou com um sonho de infância: conhecer a Europa. Eu tinha recém-saído do emprego e decidi que era a chance de realizar o sonho. Planejei-me, queria viajar para vários países, sozinho.

Embarquei para minha viagem para fora do Brasil, sem saber falar qualquer outro idioma que não o português. E 30 dias e 9 países depois, desembarquei em Londres com uma mochila, e encontrei um primo (que não conhecia) que me deu hospedagem nos primeiros dias, a quem sempre serei agradecido.

Me mudei sete vezes em dois anos, morei com estudantes vietnamitas e ingleses, mas também com outros imigrantes italianos, espanhóis, poloneses, franceses, brasileiros. E me mudei para onde vivo hoje, em Westminster: um quarto de solteiro, num condomínio popular de Westminster, chamado Churchill Gardens, próximo do Big Ben e do Rio Tâmisa, local de boa qualidade de vida.

Me cadastrei em todos os sites de “fast food”, “coffee shops”, cinemas e demais subempregos, como chamamos no Brasil. Consegui uma vaga numa rede de “fast food” como “team member”, o nível mais baixo da empresa. Meu trabalho era preparar as refeições e, ao fim do turno, limpar a cozinha. Trabalhei duro com pessoas de mais de 20 países.

Nos primeiros meses, eu falava inglês com muita dificuldade e quase não entendia nada do que falavam comigo. Para aprender inglês, comecei a tentar ler jornal dentro do metrô, assistir Netflix com legenda em inglês e simplesmente tentar “puxar assunto”. Descobri que nesses lugares mais cosmopolitas, saber falar inglês não importa muito. Importa mesmo é se comunicar. Se isso vai ser por gestos, em inglês ou português, é com você. Com o tempo fui ganhando mais qualificações, e por fim, me tornei supervisor de serviço ao cliente. O nome pode soar glamoroso, mas o trabalho em si continuava sendo simples e árduo, como servir clientes e liderar uma pequena equipe, para garantir que a loja estaria nas condições ideais.

Após 2 anos nesse trabalho e já fluente em inglês, um amigo convidou-me para ser gerente assistente em uma rede de pizzarias muito famosa no Reino Unido. Aceitei o convite.

Enquanto moradia e trabalho não são o forte nos primeiros anos da jornada em Londres, o lazer compensa. No início, aproveitei minhas noites em Camden Town, Chelsea e Piccadilly's. Visitei quase todos os principais pontos turísticos de Londres. Viajei para Cambridge, Oxford e Bath. Também tive a oportunidade de fazer uma viagem de carro por todo o interior do Reino Unido, passando por Cardiff, York, Liverpool, Manchester e outras pequenas cidades, inclusive Edimburgo, na Escócia.

O salário me permite fazer pequenas viagens de férias para o exterior, tendo já visitado França, Itália, Portugal, Alemanha, Holanda, República Tcheca, Estados Unidos e Índia.

Mudar-me para o Reino Unido me mudou completamente como pessoa. Aprendi a fotografar e conheci pessoas interessantes de diversas partes do mundo. Vi paisagens que pensei que só iria ver por foto ou vídeo. Vi diferentes modos de levar a vida, os quais eu pensava que eram impossíveis. Se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo, a única coisa que eu faria diferente seria vir para o Reino Unido mais jovem e com mais energia.

 

Leonardo Batista tem 29 anos, é formado em Administração de Empresas e há 3 anos vive em Londres - leonardobatista@live.com

 

Compartilhe
Share this