Mercado da Aviação

Soberania Nacional em risco

 

SindCT e SindMetal realizam debate sobre a venda da Embraer

 

Osindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial – SindCT realizou, em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região – SindMetal, um debate sobre a possível venda da Embraer para a Boeing.

Ocorrido no dia 13 de março, na Livraria Literacia, em São José dos Campos, o evento contou com a participação de 50 pessoas.

Todos os presentes se manifestaram sobre o assunto, expondo suas opiniões contrárias ao negócio e os prejuízos que serão gerados caso seja concretizada a venda dessa indústria aeronáutica, tanto para os trabalhadores, quanto para o país, principalmente com a perda da soberania do Brasil.

Nascida no DCTA, a Embraer possui quase 50 anos de história. E entre os presentes ao debate havia um pioneiro da Embraer, o engenheiro Ciro Bondesan. Ele relembrou a criação da Embraer e fez um comparativo sobre como é o mercado da aviação atualmente e como será em 2035.

“A Boeing está oferecendo à Embraer a formação de uma terceira empresa para tratar das operações de venda, engenharia, produção e assistência técnica dos aviões regionais e possivelmente dos aviões executivos hoje fabricados pela Embraer. O mercado militar ficaria fora desta empresa, o que poderia contornar objeções do governo brasileiro que tem poder de veto a transações que possam por em risco interesses nacionais, pela ação golden share. Nessa empresa, a Boeing teria de 51 a 90% do capital e a Embraer de 49 a 10%. Claro que comprando ações atuais da Embraer a um preço muitas vezes acima do valor nas Bolsas. Bom para os acionistas da Embraer. Só para eles...”, finalizou.

O SindCT esteve representado no debate pelos diretores Solon de Carvalho, Laís Mallaco, Fernando Morais e Francisco Conde.

Em sua fala, Solon fez críticas à privatização da Embraer (em 1994) e afirmou que a empresa é símbolo da ciência e tecnologia para o Brasil, uma fonte de conhecimento. “Conhecimento é um bem público. Não se privatiza o conhecimento”.

Fernando falou sobre a ilusão de muitos trabalhadores da Embraer que veem nesta venda uma oportunidade de trabalhar no exterior. “A Boeing não vai querer. É muito mais fácil demitir os funcionários aqui e contratar em outros países, do que fazer a mudança de famílias inteiras para os Estados Unidos.”

Renata Belzunces, técnica do Dieese, lembrou aos participantes que muitos trabalhadores da Embraer gostariam de estar presentes ao debate, mas o medo de sofrer represálias inibiu uma participação massiva da classe trabalhadora.

Gino Genaro, servidor do INPE, criticou a forma como o governo brasileiro está conduzindo a questão da venda da Embraer: “A forma como o governo trata é uma forma corrupta. Negocia tudo nos bastidores e depois sacramenta quando tem uma maioria no Congresso.” Gino ainda aproveitou para fazer comparação com a forma com que o governo trata as questões sobre o Centro de Lançamento de Alcântara – CLA. “O governo brasileiro convidou o governo americano e empresas privadas para visitar o CLA e já estão discutindo um acordo de salvaguardas para a utilização da base. O que nós brasileiros temos acompanhado sobre esse debate? Nada! É tudo tratado sob sigilo.”

 

Audiência Pública

 

Aproveitando a presença do vereador Wagner Balieiro, algumas pessoas presentes cobraram a realização de uma audiência pública sobre a venda da Embraer na Câmara Municipal.

Herbert Claros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, considera que a venda da Embraer deveria ter sido tema de debate na Câmara Municipal já no início de janeiro. Segundo ele, foi enviado um ofício à Câmara com a solicitação, mas o pedido foi negado pela Câmara, pois apenas os vereadores do PT foram favoráveis à realização da audiência. “O auge da democracia, além da decisão, é ter o debate. É poder expor as diferentes opiniões. E isso não é possível na nossa cidade, no nosso país”, critica.

Weller Gonçalves, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, falou sobre o silêncio do prefeito Felicio Ramuth sobre a Embraer. “Em sua campanha, o prefeito falava que queria acabar com o sindicato porque o sindicato atrapalha a geração de emprego na cidade. E a gente vê toda essa discussão em torno da Embraer e até agora o prefeito não se manifestou.”

O vereador Wagner Balieiro (PT) também participou do debate, destacando que São José dos Campos tem um alto índice de concentração industrial na General Motors, Embraer e Petrobras e que quaisquer mudanças nessas empresas têm efeito nefasto para a economia e a população. “Nenhum país que hoje é considerado desenvolvido deixou de fazer, no passado, medidas protecionistas ou deixou de utilizar dinheiro público e estatais para se desenvolver.”

Fernando Morais encerrou o debate dizendo: “A luta contra a venda da Embraer não pode parar aqui. Precisamos pensar em como continuar. Sabemos que o “monstro” é grande. Precisamos organizar nossas ferramentas para brigar com ele!”

 

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