Reforma da Previdência

A reforma da previdência, a intervenção militar e a manipulação da mídia

 

 

Com a intervenção militar no Rio de Janeiro, os defensores da Previdência Social pública tiveram algum alívio. O mandamento constitucional no Artigo 60, item 1º, determina que, em estado de sítio, em estado de defesa ou em intervenção, não pode haver qualquer mudança na Constituição, assim a PEC 287 da Reforma da Previdência não pode tramitar no Congresso Nacional.

A sensação de alívio durou pouco, pois, no mesmo dia, Temer já anunciou que, caso consiga o número necessário de votos para a aprovação, suspenderá temporariamente a intervenção federal.

Apesar de considerada uma fraude por vários setores da sociedade, a suspensão da intervenção não traria nenhuma surpresa ao povo brasileiro que, desde o impeachment de Dilma Rousseff, sofre com os desmandos e venalidade do Congresso e a constante perda de direitos da classe trabalhadora em prol do rentismo.

A própria espera em se conseguir a quantidade mínima de votos necessários para a aprovação da Reforma da Previdência e a troca de votos por aprovação de emendas parlamentares (a chamada compra de votos), além de vergonhosa, demonstra que não vivemos numa democracia. Se ainda vivêssemos sob um estado democrático, a Reforma da Previdência já teria sido colocada em pauta e, em caso de não aprovação, estaria encerrado o tema, conforme o regimento do Congresso Nacional.

Engana-se quem pensa que o governo está dando uma trégua na questão da Reforma da Previdência. Com a intervenção no Rio, cria-se uma cortina de fumaça e ganha-se tempo para a “COOPTAÇÃO” de parlamentares. Tanto Temer, quanto Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados), já anunciaram que continuam buscando “apoio” para aprovação da Reforma.

Desde a posse de Temer, o país parece viver um estado de exceção, mesmo que não oficialmente divulgado e mascarado por eventos deste tipo.

Cabe lembrar que a primeira emenda constitucional de Temer foi o congelamento por 20 anos das verbas para a saúde e a educação.

Não desprezemos o fato, este positivo, de que, enquanto durar a intervenção, nossa constituição não poderá ser violada, como vem sendo por um projeto de governo sem votos.

 

Manifestações adiam votação

 

Manifestações realizadas em todo o país, em 19 de fevereiro, Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, contribuíram para um breve recuo do governo e adiamento da votação.

Previamente agendada para 28 de fevereiro, a Reforma fica agora sem data para ser votada.

Com a pressão da população, muitos parlamentares já assumem o medo de perder o mandato nas eleições de 2018, caso votem a favor da Reforma.

O perigo está no pós eleição! Passadas as eleições, com um novo mandato já garantido, a Reforma pode ser colocada em votação. Os parlamentares recém-reeleitos, estarão certos que, passados quatro anos desta votação, o eleitor nem se lembra quais foram os parlamentares que votaram contra seu direito à aposentadoria.

Cabe lembrar que estas propostas de Reforma da Previdência, foram feitas a portas fechadas, por economistas (muitos vindos e/ou trabalhando em instituições de previdência privada – como bancos), sem visão social ou discussão com a sociedade.

 

O comportamento da mídia

 

Nos dois anos que precederam o impeachment de Dilma, qualquer manifestação popular contra seu governo, por menor que fosse, ganhava amplo destaque em toda a mídia nacional.

A maior rede de televisão, Globo, alterava sua programação para exibir, ao vivo, as manifestações. Repórteres eram convocados para acompanhar as manifestações em todas as capitais e nas cidades de interior com um maior número de habitantes.

Qualquer “panelaço”, mesmo quando de uma pessoa só, isolada no alto de uma cobertura, virava notícia em horário nobre, para mostrar que “o povo” estaria descontente.

Estrategicamente, foi finalizando com o circo midiático em torno da figura de Lula e seu julgamento. Com isso, a grande mídia se sente cumpridora de seu dever. Agora se cala, vira as costas ao que está realmente acontecendo no país.

Hoje, com o maior índice de desaprovação de um governo, essa mesma mídia esconde, ou inferioriza, as manifestações populares convocadas para salvaguardar o direito do povo trabalhador.

E, na busca de financiamento, se vende para apresentar Temer em programas populares na televisão, defendendo a Reforma da Previdência e assustando a população, dizendo: “se a reforma não for aprovada, nenhum brasileiro conseguirá se aposentar”.

As revistas de grande circulação, todas de propriedade das “GRANDES FAMÍLIAS”, seguem a mesma linha. Na penúltima semana de fevereiro, Veja, Época e IstoÉ estamparam a mesma “capa”: “Reforma da Previdência hoje, para ele se aposentar amanhã”. São sobrecapas publicitárias, com o logotipo da revista, compradas pelo governo que insiste em dizer que o país está quebrado.

Enquanto isso, um segmento da sociedade, cujas panelas de “teflon” e camisas da seleção brasileira estão bem guardadas, se escondem na sua pseudoneutralidade. Trata-se de uma espécie interessante: grasnou feito gralha, pulou como macaco e agora se esconde como avestruz.

Dá pra entender, então, o porquê da intervenção militar?

 

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