Cultura

ELE NÃO PÁRA DE CRIAR E SURPREENDER

 

Deo Lopes, o sambeiro do Vale!

 

Acabou parecendo uma autêntica “avant premiè- re”, no sentido clássico da palavra, a primeira apresentação pública do espetáculo musical O sambeiro, ocorrida na chuvosa manhã do domingo, 7 de janeiro de 18, no Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos.

 

Fernanda Soares

d'O Sambeiro em ensaio em frente ao muro pintado por Deo Lopes (da esq. para dir.:Odair Prado, Denilson de Paula, Márcio Oliveira, Kaká Silva, Deo Lopes, Cauique Bonsucesso, Egelson Lira) 

 

Por Moacyr Pinto
 

No palco, o cantor e compositor Deo Lopes e um respeitável grupo de músicos, todos do Vale do Paraíba; na plateia, muitos artistas, amigos, familiares e fãs, que conhecem o talento do Deo e a capacidade coletiva do grupo, curiosos para manter contato com esse novo trabalho.

Apesar da chuva, que forçou a apresentação ser transferida do tradicional bambuzal para a simpática Sala Reginaldo Poeta Gomes, foi também significativa a presença dos habituais amantes da boa música, executada por artistas de fora do circuito mais comercial, que costumam frequentar o Parque aos domingos, no tradicional horário das 10h30.

O sambeiro é uma das mais novas joias musicais da rica produção de Deo Lopes; artista do Vale, de São Paulo e do Brasil, com seus 40 anos de carreira. Aguardem a sistematização do trabalho em diferentes mídias. Que venham os convites para muitas apresentações! O público merece!

 

Arte na veia

 

Não tem crise, nem dor de amor ou no braço machucado, Deo Lopes é sinônimo de arte!

É isso mesmo! Não tem crise pessoal, econômica ou social que impeça Deo Lopes de criar; na maioria das vezes é exatamente dessas fontes que vem a inspiração.

Momentaneamente sem condições para tocar violão com liberdade, em função de um acidente com sua bicicleta, nem por isso tem deixado de compor e de trabalhar nas letras recebidas dos amigos. E para relaxar e “reinventar a vida”, vai realizando trabalhos como as mais recentes pinturas e cultivos (veja fotos), expostas a céu aberto no seu quintal, no Monte Castelo-SJC.

Vivendo de arte desde o final dos anos 1970, Deo Lopes prefere sempre interpretar as muitas e variadas canções que compôs sozinho e com muitos parceiros. Pode ser considerado um cantautor, como gostam de se referir alguns “hermanos” latino-americanos, aos compositores-intérpretes que não fazem concessões éticas e estéticas, em relação aos seus trabalhos.

Deo também é ceramista, com várias obras espalhadas, principalmente pelas casas de amigos!

 

Cantando a gente se tece

 

Com mais de 100 composições de qualidade, 5 discos solos, lançados quando a plataforma ainda eram os LPs, um CD reunindo canções dos 4 primeiros LPs, três CDs gravados pela banda Trem da Viração, já na sua fase valeparaibana, a partir de 1994, e 1 CD e 1 DVD, resultados de um trabalho em conjunto com os músicos Cauíque Bonsucesso, Daniel Camilo (falecido), Eduardo Rennó e Márcio de Oliveira, a partir da obra literária Eu tenho o meu sonho, do escritor e compositor Moacyr Pinto, Deo Lopes teve oportunidade de apresentar uma síntese do seu trabalho em livro, incluídas as partituras de 25 canções. O título do livro, Cantando a gente se tece, consta de um verso da canção Canto de agora, de 1977, uma das suas parcerias com o músico Ronaldo Rayol.

Apresentado pelo compositor, violonista, arranjador e maestro Jaime Alem, paulista iniciado musicalmente em Jacareí e radicado no Rio de Janeiro, conhecido inclusive por ter trabalhado por mais de 30 anos com a cantora Maria Bethania, que também se demonstrou encantada pela música do Trem da Viração, o livro faz um apanhado da passagem “fora dos trilhos” da música comercial, feita por Deo Lopes e seus parceiros e companheiros de estrada.

Entre os instrumentistas, cantores e compositores com os quais Deo Lopes conviveu e trabalhou podem ser citados: Walter Franco, Paulinho Pedra Azul, Pereira da Viola, Halter Maia (Tarancón), Dércio Marques (falecido), Ná e Dante Ozzeti, Mirian Mirah, Wandi Doratioto e Mário Aydar (Premeditando o Breque), Zé Gomes (rabequista), Célio Piazza (violonista), Íris Thompson de Carvalho (pianista), Ronaldo Rayol (violonista), Jessé (cantor falecido precocemente, que no auge da fama chegou a batizar um dos seus LPs, Eterno menino, com o nome da faixa composta por Deo, em parceria com Célio Piazza), além do violonista argentino Juan Falú, entre tantos outros.

 

Rolando Boldrin, a síntese

 

Talvez a síntese mais completa da participação de Deo Lopes no cenário musical brasileiro nas últimas décadas esteja contida na frase: ele fez e continua fazendo parte do grupo de autores e intérpretes que compõem o “elenco” do programa apresentado e dirigido por Rolando Boldrin, que nas últimas décadas faz parte da programação da TV Cultura de São Paulo. Deo e a banda Trem da Viração, criada no Vale do Paraíba em 1998, foram chamados a se apresentar na primeira edição do programa Senhor Brasil, na TV Cultura.

 

Atuais projetos musicais de Deo Lopes

 

Além d'O sambeiro, Deo Lopes tem se apresentado e vem trabalhando nos seguintes projetos musicais:

Canticorda número dois - Concerto musical em parceria com o compositor, cantor e violonista Victor Mendes, a partir do qual está sendo produzido um CD.

Cantando a gente se tece - Concerto musical, em parceria com os músicos Cauíque Bonsucesso e Márcio de Oliveira, desenvolvido a partir do livro publicado em 2016.

Eu tenho o meu sonho - Concerto musical, também em parceria com os músicos Cauíque Bonsucesso e Márcio de Oliveira, com as canções compostas a partir dos causos e da sabedoria do Mestre Zé Pedro, da Casa de Farinha de Ubatuba, anotadas no livro homônimo de autoria de Moacyr Pinto.

Contatos com Deo Lopes:

(12) 9 9797 9430 - deoplopes@gmail.com

 

Moacyr Pinto é sociólogo, educador, escritor e ex-Secretário Municipal de Educação em SJC - moacyrpintodasilva@gmail.com
 

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