Cidades

MESMO COM ORÇAMENTO REDUZIDO, PARQUE MANTERÁ ATIVIDADES PROGRAMADAS PARA 2018 

 

Parque Vicentina Aranha sofre corte brutal no orçamento

 

Em junho deste ano, o Parque Vicentina Aranha, um dos cartões-postais da cidade, completa 11 anos. Desde a derrubada dos seus muros e sua abertura para a população, esse talvez seja o momento mais delicado vivido pelo Parque e, consequentemente, para seus usuários.

Acervo Afac

FLIM, realizada nas dependências do Parque Vicentina Aranha em 2017

 

Por Angela Lima*
 

O governo Ramuth (PSDB) anunciou para o orçamento deste ano, um novo contrato de gestão e, como consequência, uma diminuição de 60% no repasse de verbas ao Parque. O elevado percentual de corte surpreendeu muita gente, principalmente pessoas habituadas a usar o Parque para atividades que vão de caminhada à recreação do final de semana. O calendário do Parque inclui música, shows, feiras, exposições etc, consolidando a proposta do local ser uma referência de investimento em arte e cultura.

 

Projetos de restauro

 

Um dos principais temores de usuários é que a redução de investimentos no Parque gere descontinuidade nos processos de manutenção, interrupção dos projetos de restauro e esvazie as atividades culturais.

A prefeitura, através da Assessoria de Comunicação da Associação para o Fomento da Arte e da Cultura – Afac, negou a redução de repasse.

Há um ano, em 9 de janeiro de 2017, o contrato com Orquestra Sinfônica - OSSJC foi cancelado. A orquestra encerrou suas atividades no final de dezembro de 2016, quando executou a ópera Carmina Burana através do projeto Piquenique Sinfônico, reunindo mais de 10 mil pessoas. Na ocasião, o maestro Marcelo Stasi mostrou-se surpreso pela decisão, tendo em vista que foi comunicado, via Facebook, por vídeo gravado pelo prefeito poucas semanas após ser empossado.

A prefeitura, ao ser questionada se objetiva o desenvolvimento e reformulação de uma nova orquestra para a cidade, informou que, por meio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo - FCCR, está investindo na descentralização das atividades culturais, levando para os bairros mais distantes da cidade.

A frequentadora do Parque e ex-Diretora de Patrimônio Histórico da FCCR, Priscila Vidal, diz que há uma preocupação com a questão orçamentaria do Parque no que tange as atividades culturais e o projeto de manutenção e restauro dos pavilhões. Ela acompanhou desde a década de 90 a preocupação do movimento cultural e outros setores da sociedade com a destinação desse importante patrimônio. Priscila lembra que aquisição do parque foi uma vitória da população da cidade que reivindicava a utilização da sua área como espaço cultural e que diversos segmentos da cidade se uniram para impedir que o complexo Vicentina Aranha fosse destinada a um empreendimento comercial privando seus cidadãos de usufruir da área privilegiada e importante registro da fase sanatorial do município. Recorda ainda que foram feitos diversos atos culturais em prol da criação do Parque.

A Afac respondeu ao ser questionada sobre possíveis alterações no calendário de atividades, decorrentes do anúncio do governo que até o momento não há previsão das atividades culturais sofrerem decréscimo, e que a programação cultural segue sem alterações. A assessoria também informou que as atividades culturais serão expandidas para outros parques da cidade.

 

Captação 2017

 

Sobre o projeto para manutenção dos prédios preservados pelo Comphac e pelo Condephaat, assegurou que continuam em andamento. A Afac anunciou que há perspectiva de verba extra, oriunda de captação que se destina ao restauro e atividades culturais do Parque ocorrendo de maneira ininterrupta desde 2012. Ainda segundo a prefeitura os resultados da campanha de captação 2017 serão apresentados no portal de transparência da Afac no primeiro trimestre deste ano.

A prefeitura explicou que os investimentos e projetos de restauro estão abertos para captação de recursos via Lei Rouanet o Restauro e Reabilitação do Pavilhão Marina Crespi e da Antiga Cozinha e Refeitório, e esta captação ainda não atingiu o valor necessário. O Restauro do Pavilhão São José está em andamento através de captação direta e parcerias no projeto denominado Restaurando Juntos, com obras bem avançadas.

 

Histórico

 

O Sanatório Vicentina Aranha foi construído pela Santa Casa de Misericórdia, no início do século XX, para atender pacientes com tuberculose, problema de saúde pública na época.

Localizado entre as avenidas Nove de Julho e São João, o agora Parque Vicentina Aranha é uma área privilegiada, arborizada, com enormes Pavilhões edificados no início do séc. XX

O projeto de construção do sanatório foi realizado pelo escritório do engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo, que teve entre seus inúmeros projetos o do Liceu de Artes e Ofício e o Teatro Municipal de São Paulo. A obra foi iniciada em 1918 e foi inaugurado em 1925. Foi o primeiro sanatório de São José.

Com os avanços nos métodos de tratamento da tuberculose e as possibilidades de cura, após 1945 o Sanatório foi reduzindo suas atividades até encerrá-las na década de 1960.

Na década de 1970, parte significativa da área ocupada pelo Sanatório foi loteada, dando origem aos bairros residenciais Jardim Apollo e Vila Ema.

No período de 1981 a 1990, abrigou o antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS. A partir de 1990, suas instalações passam a funcionar como hospital geriátrico.

Em 1996, o Complexo foi preservado como patrimônio do município pela Lei Municipal n.º 4.928/96, que abrange os edifícios e toda a área utilizada pelo complexo do antigo sanatório e em 2001 foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico - Condephaat.

Em janeiro de 2004, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo encerra suas atividades no então complexo do Sanatório Vicentina Aranha. Após muita mobilização de diferentes segmentos da sociedade civil e do poder público, a área foi adquirida pela prefeitura de São José dos Campos em dezembro de 2006. A cidade ganhou, então, o Parque Vicentina Aranha.

 

*Colaborou Priscila Vidal

 

Compartilhe
Share this