Saúde

AVANÇO RÁPIDO PREOCUPA MORADORES DA REGIÃO 

 

Risco de contágio da febre amarela chega ao Vale do Paraíba

 

 

A Organização Mundial da Saúde - OMS passou a considerar, a partir da segunda quinzena de janeiro, o Vale do Paraíba como área de risco de febre amarela e recomendou que todos os estrangeiros que façam viagens à região estejam vacinados.

 

Por Fernanda Soares

 

Em nota, a OMS declarou: “considerando o nível elevado da atividade do vírus da febre amarela observado em todo o Estado de São Paulo, a OMS determinou que, além de áreas listadas em avaliações anteriores, o Estado de São Paulo inteiro deve ser também considerado como risco de transmissão de febre amarela".

Ao mesmo tempo, vacinação fracionada contra a febre amarela em 54 municípios do estado de São Paulo foi antecipada para o dia 29 de janeiro (a aplicação das doses seria realizada a partir do dia 3 de fevereiro).

A vacina é distribuída em dose fracionada contendo 0,1 ml, enquanto que uma dose convencional tem 0,5 ml. A dose fracionada permite a imunização por oito anos. Segundo o Ministério da Saúde, 19,7 milhões de pessoas em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro deverão ser vacinadas na campanha - 15 milhões com a dose fracionada e outras 4,7 milhões com a dose padrão.

O número de mortes por febre amarela confirmado no Estado de São Paulo desde janeiro de 2017 subiu para 21, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde. Somados, os 11 óbitos confirmados em 12 dias de 2018 são mais que o dobro dos 10 casos relatados em todo o ano passado. Também houve aumento nos casos autóctones (transmissão interna) da doença, que passaram de 29 para 40.

Esta doença atinge com maior frequência o sexo masculino e a faixa etária acima dos 15 anos, em função da maior exposição profissional, relacionada à penetração em zonas silvestres da área endêmica. Outro grupo de risco são pessoas não vacinadas que residem próximas aos ambientes silvestres, onde circula o vírus, além de turistas e migrantes que adentram estes ambientes sem estar devidamente imunizados. A maior frequência da doença ocorre nos meses de dezembro a maio, período com maior índice pluviométrico, coincidindo com a época de maior atividade agrícola.

 

Tipos de febre amarela

 

Existem dois tipos de febre amarela: a silvestre e a urbana.

A silvestre acomete os macacos. Os macacos não transmitem o vírus diretamente - eles apenas são o principal hospedeiro no ciclo da febre amarela silvestre. O vírus é transmitido a outros macacos ou a seres humanos não vacinados pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethes. De hábitos diurnos, esses insetos vivem em áreas de mata e cerrado principalmente nas copas das árvores ou perto do solo. Uma vez infectados, tornam-se vetores do vírus para sempre (ciclo de transmissão macaco-mosquito-homem). Por isso, a morte de primatas nas imediações das cidades representa um dos sinais de que o vírus da doença está circulando em determinada região.

A forma urbana da febre amarela é transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a chikungunya e a zika. Ele vive nos arredores das casas em depósitos de água parada e ataca principalmente no começo da manhã e no final da tarde. Os macacos não estão envolvidos nesse tipo de transmissão. Ela ocorre quando o mosquito pica uma pessoa doente (o homem é o único hospedeiro do vírus nas cidades) e depois ataca uma pessoa saudável que não foi vacinada (ciclo homem-mosquito-homem).

 

Surto da Febre Amarela Silvestre

 

O Ministério da Saúde considera que o surto de febre amarela que atingiu o Brasil em 2017 - o maior em número de casos em humanos desde 1980 - acabou no último mês de julho. De dezembro de 2016 a junho do ano passado, foram confirmados 777 casos e 261 mortes pela doença no país. Em agosto, o governo federal deu o surto como encerrado, porém novos casos estão sendo confirmados quase diariamente. Desde outubro, 26 parques municipais e estaduais foram fechados nas zonas norte, sul e oeste da capital e na Grande São Paulo por causa do alto índice de mortes de macacos infectados pelo vírus.

O surto de 2017 atingiu estados onde a vacinação não era obrigatória, como o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, e fez com que o Brasil precisasse utilizar parte do estoque estratégico de vacinas da OMS, por não ter o suficiente para ampliar a vacinação imediatamente. As notícias do surto recente e o pânico da população causaram uma explosão na demanda pela vacina.

Quem já recebeu a dose padrão da vacina uma vez não precisará recebê-la novamente. Mas quem receber a dose fracionada terá um selo diferente em sua carteira de vacinação e precisará renovar a vacina. A estratégia de fracionamento da vacina já foi utilizada em Angola (11 milhões de doses) e no Congo (2 milhões de doses) durante um surto de febre amarela silvestre em 2016.

Em São José dos Campos, dos dois casos de suspeita de febre amarela em janeiro foram confirmados, um paciente morreu. Ambos teriam contraído a doença na região de Mairiporã.

 

 

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