Editorial

Momentos cruciais

Desgraçadamente vivemos sobressaltos. Ser servidor público ou empregado em empresa privada tem se tornado uma sequência de incertezas, ameaças de perdas de garantias pactuadas e estabelecidas e perda de autoestima.

A pergunta incontornável a quem deseja entender a situação é: por quê? Ou seja, por que chegamos a esse ponto? Que forças nos cercam e empurram para o desgosto, o empobrecimento e o abandono?

Não poderia ser diferente? Em algum tempo, ou período, a nossa vida laboral, ou ela plena, não esteve melhor? Mais perspectivas, mais desafios, mais ânimo, mais integração, mais tolerância, ou mesmo mais fraternidade?

E, se foi assim, ou próximo disso, onde, em qual momento, houve a ruptura e o desembocar neste novo rumo tão ameaçador quanto perverso?

Fizemos uma troca. Na verdade, fizeram-na por nós. Mas, não há como negar, que uma parcela grande dos brasileiros abraçou a negação do que tínhamos e estávamos conseguindo operar.

Mas o destino não distingue números, distingue poder. Quando se fratura um pacto social, as suas partes são apropriadas conforme o poder de cada grupo ou parcela organizada. A grande maioria da fração da negação não era, ou é, organizada. No comando dela, aí sim, estavam e estão forças organizadas, com pretensões e desejos a privilégios maiores do que já tinham.

Ora, numa gestão onde a economia não cresce, só há um modo de aumentar sua parte: é avançar sobre a dos outros.

Outros quem? Os outros que, apesar de organizados, perderam, e os não organizados ou falsamente organizados sob um comando que os abandonaria tão logo o objetivo do seu desejo fosse alcançado.

Assim se explica o porquê das reformas, do congelamento de custeio (saúde, educação, C&T, assistência social, infraestrutura, defesa etc) e um sem número de medidas de privilégios ao capital.

Numa democracia, tem-se a possibilidade de se julgar os governos, governantes e parlamentares. Apesar de todas as distorções de que padece a nossa, a pior delas sendo a mídia (em especial as televisões) que faz campanha o ano todo da agenda e personagens pró-capital, a possibilidade de se votar é a única defesa do cidadão comum.

Por isso, atacam tão violenta e sordidamente a nossa jovem e frágil democracia. Não querem submeter seus projetos, desejos e ambições ao escrutínio popular, via eleições.

E o servidor é alvo a ser exposto como culpado das desgraças do país e ao desprezo da sociedade.

Lembrem-se de que já fomos tachados de “marajás” na campanha presidencial de Collor-Globo e de “vagabundos” por FHC-Globo.

 

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