Matemática e Gripen atraem jovens

 

Sempre em peso na SNCT, os institutos de pesquisa do MCTIC foram a grande ausência na principal exposição do evento, em Brasília — assim como seus trabalhos sobre fauna brasileira, buracos negros e tecnologias assistivas, entre muitos e variados campos.

Daqueles que integram a administração direta da pasta, participou apenas o Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica (Ibict), sediado na capital.

Na cerimônia de abertura, o ministro Gilberto Kassab pediu “apoio maciço da sociedade brasileira”, que descreveu como “legítimo lobby, legítima pressão”, para convencer a equipe econômica do governo federal e o Congresso Nacional a fortalecer o financiamento da área. “Precisamos corrigir essa enorme distorção.

O Brasil precisa mais do que nunca deste apoio”, ressaltou, constatando que “jamais sairemos da crise se não recuperarmos nossa capacidade de investimento”.

Parecia o discurso de alguém de fora do governo e não de um ministro. No entanto, diante de pergunta de jornalista, afirmou concordar com a EC 95.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, mencionou a SNCT como maior evento do gênero no mundo, lembrando sua presença em mais de mil cidades.

“Precisamos chegar aos mais de 5,5 mil municípios brasileiros e certamente vamos fazê-lo, como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas [Obmep] já praticamente conseguiu”, disse.

O cientista comentou que a matemática “também está nos cortes” alertou para o “quadro dramático” de financiamento, denunciado em cartas de 150 entidades enviadas à Presidência da República e ao Congresso Nacional.

 

 

Biênio

Proponente da abordagem deste ano, o presidente do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Marcelo Viana, explica que a escolha se liga ao Biênio da Matemática no Brasil: “Em julho sediamos a Olimpíada Internacional de Matemática, com mais de 600 jovens e adolescentes de mais de 110 países, e em 2018 vamos receber o Congresso Internacional de Matemáticos, no qual são dados os prêmios mais importantes, inclusive a Medalha Fields”.

Criado em 1952 como órgão público federal, primeira unidade de pesquisa do então Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), o IMPA atualmente é uma “organização social” vinculada ao MCTIC. De acordo com Viana, a vinda dos eventos reconhece um esforço de desenvolvimento continuado de seis ou sete décadas.

O acadêmico observa, porém, que ainda é enorme a carência na área — segundo levantamentos lembrados por ele, trata-se do país em que os jovens têm menos contato com a matemática fora da sala de aula.

Um dos estandes mais focados no tema de 2017, o do Serviço Social do Comércio (Sesc), mostrava os fundamentos matemáticos por meio de jogos como um dominó gigante e um tapete-tabuleiro.

Na “MatCaverna”, crianças e adolescentes podiam tomar contato com a física por trás dos poderes dos super-heróis de ficção numa combinação de teoria e prática.

Para entender a superforça de Hulk, por exemplo, um dinamômetro media o impacto dos socos, enquanto uma arrancada num tapete de 7 metros permitia comparar a velocidade de um atleta-mirim à de Flash.

Ao lado de seu desempenho, os e as aspirantes à “Liga da Justiça” eram apresentados aos cálculos envolvidos. A estudante de Educação Física Yara Araújo e o aluno do Centro de Ensino Médio 414, de Samambaia, Carlos Gabriel, conheceram o funcionamento de instrumentos musicais como o xilofone, a kalimba e o dan bau, além de ter contato com as descobertas de Pitágoras no século VI a.C. sobre os intervalos consonantes, fundamentais para a teoria musical e para o entendimento do filósofo de que “os números governam o mundo”. “Foi interessante ver como as distâncias interferem no som das cordas”, diz a aluna da Universidade Anhanguera, que também apreciou saber mais a respeito da composição dos seres vivos em palestra sobre bioquímica.

Na tradicional exibição de tanques, caminhões e outros veículos das Forças Armadas, a estrela da vez foi uma réplica em tamanho real do caça sueco Gripen NG, que vai equipar a Força Aérea Brasileira (FAB).

Os visitantes podiam entrar na pequena cabine (cockpit) a 4,5 metros do chão e se imaginar sobrevoando a 2,4 mil quilômetros por hora este território tão bonito e maltratado.

 

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