Galpão Estação Cidadania une história e realizações culturais

ENTIDADES DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS ATUAM JUNTAS PARA RECUPERAR PATRIMÔNIO HISTÓRICO

 

 

Datadas de 1887 e abandonadas desde 1999, as instalações que pertenceram à Estação da RFFSA são transformadas em local voltado a manifestações de cultura popular

 

Fernanda Soares

 

Um galpão que integrava  o complexo da  antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em São José dos Campos e estava abandonado desde 1999 vem sendo objeto de um processo  de revitalização.

 

Três instituições da cidade solicitaram o local à Secretaria de Patrimônio da União, por meio do Programa de Destinação do Patrimônio da extinta RFFSA para Desenvolvimento  Local. A finalidade é transformar o local num espaço de cultura e lazer, além de preservar o patrimônio  histórico Atualmente, estão instaladas no Galpão as seguintes entidades:

 

• Associação dos Inscritos no Programa Habitacional de São José dos Campos  (ASSIPHSJC), que tem por finalidade detectar, estudar e propor soluções aos problemas da comunidade, articulando junto ao poder público, no sentido de solucionar adequadamente as  demandas apresentadas.

• Centro Dandara de Promotoras Legais Populares – promove os direitos da cidadania, direitos individuais e coletivos e direitos humanos, focando as desigualdades  decorrentes das relações de gênero, raça/ etni   orientação sexual e socioeconômicas através  da criação de programas, serviços, projetos e equipamentos sociais que atendam as políticas básicas de assistência social, educação, saúde, recreação, esporte,  cultura, lazer, profissionalização e qualificação.

• Companhia Cultural Velhus Novatus – desenvolve projetos e ações sociais, culturais e educacionais, potencializando a cidadania  cultural, além de ter na cultura popular da cidade de São José dos Campos e no Vale do Paraíba, sua  inspiração para os projetos desenvolvidos As três instituições agregam outros movimentos sociais, como a Central  de Movimentos Populares (CMP), que tem realizado a guarda do local, e a Moova Produções Criativas. Esta  última, criada por quatro jovens (Matheus Estevão, Dessana Andrade, Daniel Mendes e Gabriel Santana), foi responsável por organizar  um bem-sucedido festival em julho.

 

O espaço, antes utilizado para o consumo de drogas ilícitas, hoje promove  ações de interesse público e coletivo, já tendo realizado a exibição de  ilmes e  documentários, ensaios de atividades culturais, encontros de movimentos sociais e realização de workshops. 

Marcela de Andrade, diretora- executiva do Centro Dandara, avalia que a preservação deste patrimônio histórico pelos grupos que  ocupam o galpão é a maior contribuição que se pode dar à história da cidade.

 

Atividades

O rol de atividades oferecidas  pela Companhia Cultural Velhus Novatus impressiona por sua diversidade:

segunda-feira: Capoeira Angola, HQ – História em Quadrinhos  e Ensaios do espetáculo “Memórias de Sant’Anna”;

terça-feira: Circo, Percussão e Workshop e Pesquisas  do Projeto Estação (Teatro);

quarta-feira: Capoeira Angola, Flauta Doce, Ensaios do espetáculo “Velhus Causus”;

quinta-feira: Danças Urbanas, Workshop e Pesquisas  do “Projeto Estação” (Teatro);

sexta-feira: Maracatu;

sábados: Teatro, Dança e Música para  deficientes, Samba Rural.

Além das oficinas, também são organizadas palestras de temas variados, tais  como “Construir para voar” (Luiz Ramos), “Criação de personagem  (Magô Pool),  “A valorização da imagem” (Sérgio Gurgel), “Desmistificando a linguagem musical” (Alexandre Ulbanere), “Desperte seu olhar para o  mundo através da fotografia” (Alexon Bilhoto), “A arte da fotografia” (Ana Ribeiro), “Escrita” (Kátia  Zanvettor).

Para Wangy Alves, da Companhia Cultural Velhus Novatus, além de preservar  parte da memória joseense, esse novo espaço permite à população ter acesso mais fácil  à arte e à cultura regionais, além de propiciar ocasiões de reflexão da sociedade, durante as noites culturais.

“Arte no Trilho”

Em julho deste ano, um festival promovido no  Galpão Estação Cidadania marcou oficialmente a criação de um espaço popular de arte e cultura na cidade.

Participaram do festival  mais de 500 pessoas, que puderam assistir a peças de teatro, shows, exposições, poesias, além de participar de workshops. 

Segundo Matheus Estevão, um dos criadores da Moova, a cena cultural de São José dos Campos é bem  fechada.

“Existem muitos artistas que não são incluídos em alguns eventos   sempre os mesmos estão em  evidência. Partindo deste princípio, nós, como produtores e artistas, decidimos criar um festival que abraçasse  a todos! É que desse oportunidade também para as mulheres, que são excluídas  dos palcos da cidade”.

O Festival Arte no Trilho foi realizado com a colaboração de 200 artistas voluntários, apresentando  72 projetos em prol da cultura regional.

Devido à diversidade, foi classificado como o maior festival  cultural independente de São José dos Campos.

O sucesso foi tão grande que a produtora Moova já pensa em organizar uma segunda  edição em 2018.  

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