Aberto concurso para 60 professores, agora comunidade aguarda a expansão do ITA

 

A chegada de novos  docentes ao campus do instituto não garante, ao menos de imediato, maior  abertura de vagas para alunos, ampliação do vestibular e mesmo melhoria correspondente  da estrutura física

 

Antonio Biondi e Napoleão de Almeida*   

 

Quatro anos após o último concurso,  quando abriu 13 vagas no corpo docente, o Instituto Tecnológico de  Aeronáutica (ITA) anunciou, na última semana de setembro, a abertura de 60  vagas em concurso público para professores. O prazo das inscrições é de 2 a  31 de outubro.

O edital do concurso prevê salários de R$ 4.455,22 para professores Adjunto A e Assistente  A, com retribuição por titulação de R$ 5.130,45 (se Doutorado) ou R$ 2.172,21 (se Mestrado).

O edital,  lançado discretamente, está disponível no site do ITA. A medida, sem sombra de  dúvidas de grande importância, não garante, ao menos de imediato, uma maior abertura de vagas para alunos,  com ampliação do vestibular e a correspondente melhoria na estrutura do instituto. 

 

Tendo sua expansão planejada ainda no go erno Dilma  Rousseff, o ITA recebeu do Ministério da Educação (MEC) a quantia de R$ 53,4  milhões para a construção de um novo prédio destinado a salas de aulas, e tem previsão de construir mais  um alojamento, com investimentos num total de R$ 300 milhões.

A construção desse  alojamento é uma das obras de infraestrutura pendentes, que ainda não permitem que  a expansão prometida se concretize já após o concurso. Baseado no modelo de  ensino norte-americano, com um projeto inspirado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), o ITA  prevê integração total entre aluno, professor e infraestrutura, quando docentes e  discentes vierem a residir no campus. “É o diferente, possibilita que o aluno  tenha um contato grande com a instituição. Antigamente o professor também morava no campus.

Hoje  não mais. Uma das partes mais importantes é o alojamento,  que não começou a ser feito”, relatou ao Jornal do SindCT Arthur Covatti, presidente do Centro Acadêmico  Santos Dumont (CASD). Atualmente, cerca de 700 alunos es ão matriculados  no ITA.

A promessa é que o prédio com salas de aulas fique pronto até o final do ano, com dois anos de atraso em relação ao cronograma  inicial, tal qual o concurso, anunciado para 2015, mas somente agora aprovado e com inscrições  abertas. À época, a previsão era de que o quadro de professores aumentasse de  147 para 207, com salto para 300 até 2019. “Lugares que há 20 anos tinham dois técnicos hoje têm um só. 

Departamentos com falta de professores, como o de  Matemática, justamente um destaque”, constata Covatti. Preocupação Em entrevista ao Jornal do SindCT (edição 47,  de maio de 2016), o reitor do ITA, Anderson Correia, falou da preocupação de  não ampliar o número de vagas no vestibular sem que mais professores ou a infraestrutura montada já estivessem à disposição:  “Não posso colocar mais aviões na pista do que a capacidade do aeroporto,  correto? Da mesma forma, colocar mais alunos sem ter a quantidade de professores correspondente gera  prejuízo ao ensino, às atividades nos laborat rios etc. Pretendemos trabalhar pela  ampliação do número de vagas, mas mantendo a qualidade dos cursos”.

Covatti,  por sua vez, não imagina um número maior de vagas  no vestibular até que o novo alojamento esteja de pé. Na avaliação do CASD, a  relação com a Reitoria é positiva. “O ambiente de convivência é para melhor.

Os alunos estão conseguindo levar  vidas um pouco mais saudáveis e aumentou um pouco a integração dos alunos com o resto das pessoas que vivem  no DCTA [Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial]”, comenta o dirigente estudantil, lembrando que no espaço do ITA os estudantes  convivem também com técnicos e profissionais do  DCTA.

Entre os alunos há, porém, uma queixa: contestam  a obrigatoriedade de ingressar  no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva  (CPOR), que funciona como uma espécie de “quarentena” imposta aos alunos  recém-aprovados. Desde o último vestibular, em 2016, todos os alunos precisam  decidir se pretendem ser militares da ativa ou reserva   (sem direito a alteração    posterior de opção) e cursar por 40 dias o CPOR.

Trata- -se de uma tentativa de retenção  de profissionais na carreira militar a partir do ITA. A informação é de que a Aeronáutica julga que o  número de baixas nos cursos da instituição é grande.

Até o fechamento da  edição, a reportagem não conseguiu respostas da Reitoria do ITA a alguns questionamentos  necessários à matéria. Procurada, a assessoria de imprensa do MEC alegou que o instituto não é  vinculado à pasta (embora as verbas para a expansão tenham o MEC como origem).

A assessoria de comunicação da Aeronáutica,  por seu turno, comprometeu- se a retornar ao pedido de entrevista somente na  1ª semana de outubro, portanto depois do fechamento desta edição.

 

*Jornalista, especial  para o Jornal do SindCT    

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