Jornal do SindCT chega à sexagésima edição sem perder foco e combatividade

MIDIA SINDICAL PRÓPRIA E INDEPENDENTE FAZ DIFERENÇA

 

Esperamos que este periódico continue firme e forte no cumprimento de sua missão de formar e informar seus leitores, com independência frente a partidos políticos, gestores ou interesses particulares ou de grupos

 

Gino Genaro

 

No momento em que se encerra mais um mandato da Diretoria do SindCT (a gestão 2017-2020 deverá tomar posse no próximo dia 10 de outubro), o Jornal do SindCT publica sua edição de número 60, fato que deve ser motivo de orgulho para toda a base do nosso Sindicato, bem como para seus diretores atuais e das gestões anteriores.

Na qualidade de secretário de Comunicação e Cultura da entidade, ao longo dos últimos anos assumi a tarefa de coordenar os trabalhos de produção do Jornal do SindCT, que desempenhei com satisfação.

Desde que ingressei no INPE, em agosto de 2002, ainda como militante de base, sem ocupar espaços na direção do Sindicato, me lembro que eram recorrentes nas reuniões de Diretoria manifestações quanto à necessidade e à importância de a entidade vir a criar uma publicação própria, autônoma e independente, para tratar dos vários assuntos de interesse da categoria e do Programa Espacial Brasileiro (PEB).

Apesar das constantes discussões sobre o formato e objetivos da publicação, ainda se passaram duas gestões completas (triênios 2002-2005 e 2005-2008), com as quais contribuí ainda como militante de base, sem que o jornal fosse efetivamente criado.

O assunto era polêmico e gerava discussões apaixonadas, não quanto à criação de uma publicação, que era praticamente consenso na Diretoria, mas pelo que deveria ser seu formato e conteúdo.

Dois pontos em particular geravam mais controvérsia: a linha editorial da publicação, e como se daria o acompanhamento, por parte da Diretoria, do dia a dia do jornal, já que o órgão nasceria como veículo oficial de comunicação da direção da entidade.

Quanto à linha editorial, havia uma proposta de que fosse criada uma revista cujo objetivo central seria divulgar a produção técnico-científica dos nossos institutos (INPE e DCTA), e não propriamente um jornal de cunho mais geral, que se dedicasse a tratar desses assuntos, mas também de outros, como questões sindicais, problemas administrativos dos institutos, rumos do PEB, cultura, dentre outros.

Felizmente, ao meu ver, esta segunda linha foi a que acabou prevalecendo mais tarde.

Já quanto à forma de condução, havia a proposta de que a própria Diretoria tocasse todos os aspectos da publicação, bem como a ideia de que fosse criada uma espécie de conselho editorial para o jornal, que permitisse à Diretoria cuidar de outros assuntos, embora tendo conhecimento do que viria a ser publicado.

O assunto continuou sem definição até julho de 2009, ano em que já me encontrava na diretoria, então na qualidade de secretário de Formação Sindical, quando uma primeira proposta formal da publicação foi enfim apresentada e discutida na Diretoria, detalhando objetivos, linha editorial, equipe de trabalho, tiragem e distribuição, no bojo das comemorações dos 20 anos de fundação do SindCT.

Ainda assim, a primeira edição do jornal somente veio a circular em fevereiro de 2011.

No início contamos com a colaboração do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), organização sediada no Rio de Janeiro, especializada em comunicação sindical e popular, e que tinha à frente aquele que foi para nós um mestre e profundo incentivador: o saudoso camarada Vito Giannotti.

Esta colaboração estendeu-se até a 15ª edição, em junho de 2012.

A partir daí, o jornal passou a ser integralmente produzido pela equipe própria do SindCT, cujo corpo técnico era (e continua sendo) formado por duas jornalistas, além da colaboração de outras funcionárias da entidade.

 

Linha editorial

 

A publicação sempre teve por objetivo servir como canal de comunicação direta entre a Diretoria e a base do sindicato, tratando de assuntos atinentes à sua área de atuação, como política de ciência e tecnologia no Brasil, em particular na área espacial, e seus reflexos na política industrial brasileira; e assuntos relacionados à área sindical, como a política de recursos humanos do governo para o setor, as condições de trabalho da categoria, a questão salarial, abertura de vagas para contratação de novos servidores e outros.

Se, por um lado, o jornal dava ênfase a assuntos envolvendo as duas instituições que compunham a base da categoria naquele momento, DCTA e INPE (base que atualmente conta com os servidores do Cemaden), por outro lado este veículo passou a consolidar- e como uma publicação de referência para assuntos relacionados à política espacial brasileira, tema ao mesmo tempo estratégico, mas que nunca foi tratado com a devida importância e rigor pelos grandes meios de comunicação, apresentando um caráter mais formativo que informativo, aprofundando temas complexos, emitindo opiniões distintas, divulgando artigos de opinião e entrevistas.

Para cumprir estes objetivos a publicação sempre buscou primar por um padrão de qualidade tal que garantisse um conteúdo rico e diversificado, com um padrão gráfico que permitisse uma leitura agradável e prazerosa, com ampla divulgação não apenas entre os servidores que compõem a base do SindCT, mas também entre os vários sindicatos da carreira de C&T, órgãos do governo responsáveis pela área (MCTIC, AEB etc.), parlamentares, associações e a sociedade em geral, principalmente entre as demais categorias profissionais, como forma de incentivar a solidariedade e a consciência de classe dos trabalhadores.

Por conta da dificuldade em se manter a periodicidade mensal do jornal, mas principalmente pela necessidade de se aprimorar a qualidade técnica e de conteúdo da publicação, a partir da 25ª edição (setembro de 2013) a Diretoria autorizou a contratação de jornalistas tanto para a área de redação quanto de diagramação, de modo a reforçar a equipe própria de jornalistas da entidade.

 

Conselho editorial

 

Desde que foi concebida a proposta de criação do Jornal do SindCT já se previa a criação de um conselho responsável por cuidar da linha editorial do jornal, prospectar pautas a serem trabalhadas em cada edição, buscar colaboradores internos e externos à base da entidade que pudessem contribuir com artigos de opinião, além de prestar contas à Diretoria do Sindicato, a quem continuaria cabendo a palavra final em quaisquer assuntos relacionados à publicação.

Para tanto, a proposta previa a busca de colaboradores, pertencentes ou não à base do sindicato, não remunerados, com experiência, trânsito e gosto pela literatura e pelo jornalismo sindical, político e científico, afinados com a linha editorial e com os objetivos que levaram à criação do jornal.

Fato é que os anos foram se passando, novas diretorias se sucederam no comando da entidade, e a ideia de se implantar o Conselho Editorial não chegou a prosperar, fazendo com que a condução do dia a dia da publicação continuasse centralizada na diretoria, em geral, e no diretor responsável pela área de Comunicação, em particular.

De certo modo, a própria Diretoria passou a atuar como um conselho, opinando sobre as pautas e sobre os jornais em circulação.

Desde o início sempre tivemos claro que manter um jornal com uma certa periodicidade, de qualidade, que primasse pela produção de matérias próprias (evitando a reprodução pura e simples de outras fontes), aprofundando ao máximo os temas ligados à área espacial e à realidade e especificidade da Carreira de C&T, não seria tarefa simples.

Após seis anos de experiência acumulada podemos afirmar que, se por um lado o jornal vem amadurecendo e mantendo sua qualidade, por outro lado ainda enfrentamos, eventualmente, dificuldades técnicas e operacionais.

Dificuldades relacionadas à própria natureza do jornalismo que produzimos, numa área sensível em que as informações muitas vezes são trancadas “a sete chaves”, e ao pequeno número de jornalistas envolvidos no trabalho.

O Jornal do SindCT possui uma tiragem mensal de 5.500 exemplares distribuídos entre a base do sindicato (distribuição direta aos servidores ativos e via Correios aos inativos), vários sindicatos da cidade e das Carreiras de C&T, aos 513 deputados federais e 81 senadores, parlamentares de São José dos Campos e Vale do Paraíba, órgãos do Executivo federal afetos às áreas de atuação de nossas instituições, dentre outros. Esta ampla distribuição tem contribuído para pautar e potencializar os temas da área espacial junto ao governo e demais órgãos da imprensa, divulgando as atividades de nossa base e tornando públicas nossas lutas e aspirações por melhores condições de trabalho.

 

Investigação

 

Ao longo destes seis anos foram várias as matérias investigativas, de denúncias, com “furos de reportagem”, especialmente em temas relacionados à área espacial, sem nunca abrir mão do direito das partes citadas ao contraditório.

Foi assim com ministros de Estado, presidentes da Agência Espacial Brasileira (AEB), diretores e ex- -diretores do INPE, DCTA (e mais recentemente Cemaden), políticos e gestores em geral Nossa publicação se orgulha de ter trazido a público, ao longo desses anos, as ingerências externas de interesses de mercado, as tentativas de privatização do INPE e do DCTA via “organizações sociais” e outros grupos privados, as disputas mesquinhas de interesses pessoais envolvendo a cúpula do INPE e da AEB; a completa falta de autonomia administrativa e pedagógica do ITA frente a cúpula militar; as pressões políticas para se lançar o satélite CBERS-3 às pressas, diante de falhas recorrentes de alguns de seus componentes eletrônicos; a forma vergonhosa e desastrosa com que o DCTA sepultou o programa VLS-1, sem se comover nem mesmo com a memória dos 21 técnicos que pereceram no trágico acidente de 2003; os favorecimentos à Mectron-Odebrecht e à Avibras; questionamentos ao papel desempenhado pela fundação privada Funcate.

Da mesma forma, abordamos o massacre do Pinheirinho, que repercutiu em todo o mundo; apoiamos as investigações da Comissão Nacional da Verdade quanto às violações de direitos humanos durante a Ditadura Militar; denunciamos o golpe parlamentar,midiático e judicial perpetrado contra uma presidenta da República legitimamente eleita; acompanhamos cada passo do governo usurpador que a sucedeu, com destaque para os constantes cortes de verbas da área de C&T, dentre tantos outros temas marcantes.

Esperamos que o Jornal do SindCT continue firme e forte no cumprimento de sua missão de formar e informar seus leitores, sempre com independência frente a partidos políticos, gestores ou interesses particulares ou de grupos de quaisquer naturezas.

Certamente a próxima Diretoria continuará trabalhando para torná-lo cada vez mais forte e combativo.

Que venham as próximas sessenta edições!

 

 

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