Pesquisador do IAE lança livro didático sobre tecnologia de foguetes

ARIOVALDO PALMERIO, O AUTOR, LANÇA “GRITO MISTO DE SOCORRO E ESPERANÇA”

Shirley Marciano

Obra tem viés didático e pretende chamar a atenção da juventude para a exploração espacial. Ao mesmo tempo, busca construir a memória das atividades do instituto. Patrocinada pelo SindCT, a sua distribuição é gratuita.  No dia 12 de maio, foi lançado o livro Introdução à Tecnologia de Foguetes, de autoria de Ariovaldo Félix Palmerio, pesquisador do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA).

O evento, no Auditório do Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB), contou com a presença de diversas autoridades do setor aeroespacial, como os diretores do DCTA, major-brigadeiro do ar Carlos Augusto Amaral Oliveira, do IAE, brigadeiro Augusto Luiz de Castro Otero, do INPE, Ricardo Galvão, e outras.

A obra, que tem distribuição gratuita e foi patrocinada pelo SindCT, desenvolve nas suas 269 páginas mais anexos explicações bem didáticas sobre foguetes, desde sua concepção, modelos e história até uma abordagem técnica geral sobre sua construção e montagem.

Engenheiro mecânico e de automóveis pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), Palmerio é mestre em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em Engenharia Mecânica pelo Virgínia Polytechnic Institute & State University. Sua carreira profissional transcorreu inteiramente no IAE, onde atuou no desenvolvimento de foguetes de sondagem e lançadores de satélites, como engenheiro estrutural e de sistemas. “Muitas são as razões para compilar e registrar informações sobre a atividade de desenvolvimento de foguetes espaciais que ocorre no Brasil, atividade esta ignorada por parcela significativa de sua sociedade”, diz o autor na introdução do livro.

“Essas razões são apresentadas sob várias formas ao longo do texto, no qual subjaz, ou é audível, um grito misto de pedido de socorro e de esperança derradeira de que nosso país procure, e encontre, com autonomia e equilíbrio, um lugar digno de sua grandeza na árdua e gloriosa exploração espacial. É intenção deste texto chamar a atenção da sociedade brasileira, em especial dos jovens, para essa atividade apaixonante e, ao mesmo tempo, necessária”.

“Memória”

A preocupação de Palmerio é estender o conhecimento para que as pessoas conheçam um pouco sobre foguetes, mas, sobretudo, saibam também o que é realizado no IAE.  “A ideia é resgatar a memória dos fatos ocorridos no IAE, na área espacial; seus feitos concretos, sob o meu ponto de vista, inclusive minhas opiniões a respeito. Tentei satisfazer um público amplo”, explica. Em entrevista exclusiva ao Jornal do SindCT, ele conta que sua inspiração veio de uma preocupação com o pessoal que entrava no IAE sem experiência e conhecimento suficiente na área de foguetes.

“No final da década de 1990, pensando no pessoal novo, montei um curso introdutório com apostilas. Assim, as pessoas se inscreviam e participavam do curso, o qual ministrei umas quinze vezes. Este foi, portanto, o embrião do livro. A cada vez que eu dava o curso, fazia uma revisão. Então, quando saí do IAE, decidi transformar esse material de aula em livro”, explica. 

“Quando resolvi fazer o livro, tinha várias intenções. Uma era fazer um registro do IAE, porque não temos muita coisa na área. Somos muito pobres para elaboração de materiais de memória”, continua Palmerio. “Também queria divulgar para a sociedade brasileira o que foi feito ali e que, infelizmente, está morrendo. E, por último, homenagear as pessoas que fizeram parte, como é o caso do Jayme Boskov, do [major-brigadeiro-do-ar Hugo de Oliveira] Piva e de diversos outros nomes de igual importância”.

VLS-1 e o acidente

Então, conclui, o livro é “dividido”. “Quem só quer saber da história, lê a parte de resgaste da memória. Quem tem curiosidade sobre a parte técnica, também estará contemplado porque ali tem as explicações. Enfim, a intenção é atingir vários públicos de uma forma bastante didática”, diz. Na conversa com a repórter ele teceu algumas observações sobre o VLS- 1, projeto recentemente encerrado pelo DCTA. “Foi válido o investimento, mas foi realizado de uma forma muito prejudicial ao próprio projeto. Escrevi no meu livro, então posso comentar com você.

O Boscov tinha desenvolvido um motor para o Sonda-4. Ele seria o motor base do VLS. Isso constituiu um problema, devido à complexidade de se trabalhar. Pior ainda se pensar que eram quatro motores. Embora ele fosse viável, o nível de dificuldade era muito alto em termos de projeto. Eu não faria o que foi feito, mas na época eu também não tinha essa visão. Se fosse uma configuração mais simples, talvez hoje teríamos realizado e com menos problema”, analisa Palmério.

Sobre a tragédia de Alcântara, ele diz que também se sente parte do erro cometido porque sabia da situação e, assim como os demais, nada falou. Explica que havia um número muito reduzido de pessoas e os recursos estavam bem escassos, o que colocou a todos, de certa forma, em risco. Para ele o acidente está ligado diretamente a estas questões. Quanto ao futuro do setor aeroespacial brasileiro, Palmerio foi taxativo. Para ele o IAE está definhando e esses projetos podem estar em vistas de se acabar no Brasil. Para adquirir o livro, basta entrar em contato com o SindCT no telefone (12) 3904-6655.

 

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