Fipecq Vida adianta recursos à Unimed Cruzeiro para garantir atendimento

OPERADORA ALEGA AGRAVAMENTO DA CRISE ECONÔMICA

Antonio Biondi e Cristina Charão

Atrasos nos pagamentos levaram profissionais, laboratórios e clínicas credenciadas a suspender a prestação de serviços aos servidores do INPE e do LNA. “Nunca tínhamos enfrentado este tipo de problema”, disse gerente da fundação. Os servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e seus familiares enfrentaram dificuldades para conseguir atendimento médico e hospitalar no final do ano.

Diversos profissionais, além de laboratórios e clínicas credenciadas na Unimed Cruzeiro, suspenderam a prestação de serviços alegando atrasos nos pagamentos devidos pela operadora. Para sanar o problema foi preciso que a Fipecq Vida antecipasse repasses das mensalidades pagas pelos associados. Ligada à Fundação de Previdência Complementar dos Empregados ou Servidores da Finep, do IPEA, do CNPq, do INPE e do INPA, a Fipecq Vida é responsável pela oferta de assistência de saúde e odontológica aos funcionários destas e de outras 25 instituições federais. Para isso, contrata diferentes seguradoras e operadoras de planos de saúde.

“A Fipecq Vida tem contratos com diversas operadoras: Bradesco, Amil, Unimed Rio, Unimed Manaus e outras. Nunca tínhamos enfrentado este tipo de problema”, disse Gleide Chaves, gerente de Gestão de Saúde da Fipecq Vida, ao Jornal do SindCT. O adiantamento feito à Unimed Cruzeiro foi o equivalente a um mês inteiro de repasses. “A gente tem buscado na medida do possível ajudar a operadora, para não afetar o associado”, garante Gleide. Ela lembra que, apesar de ser a primeira vez em que a oferta de serviços aos associados é afetada, crises de gestão têm sido uma constante em diversas das cooperativas Unimed. “Infelizmente, acontece e vem acontecendo com uma frequência cada vez maior.”

A Unimed Cruzeiro declarou ao Jornal do SindCT que os problemas com fornecedores estão equacionados e justificou as dificuldades enfrentadas no final de 2016 como sendo parte do quadro geral dos problemas enfrentados pelo setor de saúde suplementar. Este quadro seria resultado do “agravamento da crise econômica”, que teria aumentado os custos e, ao mesmo tempo, levado a uma forte redução no número de beneficiários. Diz a nota da operadora: “Dada a conjuntura econômica do país e seus impactos sobre a saúde suplementar, a alta inflação médica gerou impacto no setor, culminando no maior valor da série histórica (19,7%).

A Variação dos Custos Médico-Hospitalares (VCHM) tem sido impulsionada principalmente pela aceleração no índice dos procedimentos de Internação e de Terapias. Estudos do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que a Internação é o principal item dos gastos médicos em planos de saúde, principalmente devido a OPME (Ortose, Prótese e Materiais Especiais). Com a Unimed Cruzeiro ocorreu exatamente conforme divulgado pelo IESS, porém já está equacionado”.

Crise do setor

No final de 2015, a Unimed Paulistana, cooperativa que reunia prestadores de serviços médicos da cidade de São Paulo e atendia cerca de 740 mil pessoas, foi à falência. Em 2016, a grave crise financeira que afeta a Unimed Rio fez com que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendesse a venda de planos da operadora por vários meses. Agora, a instituição segue funcionando graças a um Termo de Ajuste de Conduta estabelecido com o poder público, mas a ameaça de liquidação da cooperativa paira sobre seus 800 mil usuários.

Segundo as operadoras de planos de saúde, a crise do setor é resultado dos custos crescentes na área da saúde e do envelhecimento da população. Até a judicialização das relações entre clientes e empresas já foi apontada como causa dos problemas do setor, um dos principais alvos de reclamações nos serviços de proteção aos direitos do consumidor. Para estudiosos da área da saúde coletiva, contudo, a crise tem outras raízes. De um lado, casos típicos de má gestão em uma área extremamente complexa do ponto de vista administrativo.

De outro, a aposta do setor em modelos baseados na competição pela venda de planos, negligenciando investimentos tanto em estratégias de prevenção, como em pesquisas e tecnologia. Neste quadro crítico, a Fipecq Vida afirma que está atenta para evitar que os transtornos atinjam seus associados. “Temos a renovação do contrato com a Unimed Cruzeiro em maio. Estamos buscando as alternativas junto à própria Unimed e também fora dela”, afirma Gleide.

“Até o momento, são especulações de mercado para saber se há operadora com capacidade de atendimento para o número de associados.” Ao todo, 3.082 vidas — entre associados e dependentes de associados da Fipecq Vida ligados ao INPE e ao LNA — são atendidas pela Unimed Cruzeiro. Os planos têm abrangência nacional e o atendimento nos diferentes municípios é garantido, em tese, pelo sistema de intercâmbio entre várias operadoras ligadas ao Sistema Unimed.

Porém, uma das dificuldades da Fipecq Vida para negociar os contratos com as operadoras de planos de saúde para os trabalhadores do INPE e do LNA é a pulverização geográfica dos funcionários pelas diferentes unidades das duas instituições.

“Às vezes, a gente pensa que uma operadora local pode oferecer condições melhores para o associado, por oferecer os serviços mais próximos, mas quando vemos a tabela de preços ela não se diferencia muito de planos nacionais, por exemplo. E nossa tarefa é procurar as melhores condições para o associado”, conclui a gerente.

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