“Apagão” no atendimento da Unimed Cruzeiro

Na virada do ano de 2016 para 2017 muitos servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e seus familiares cadastrados junto à Caixa de Assistência Social da Fipecq (Fipecq Vida), cujos planos de saúde estavam vinculados à operadora Unimed Cruzeiro, foram surpreendidos com um “apagão” nos atendimentos médico-hospitalares. Pessoas que estavam com consultas médicas agendadas por meses tiveram o atendimento negado com a informação de que a Unimed São José dos Campos havia interrompido o atendimento a usuários da Unimed Cruzeiro por falta de pagamento. As pessoas ficavam sem entender, pois estavam pagando em dia suas mensalidades do plano de saúde.

O problema trouxe à tona, novamente, a verdadeira bomba-relógio associada aos planos de saúde privados no Brasil, que via de regra cobram prestações elevadas, mas que, ainda assim, não conseguem se manter no azul, com constantes quebras e falências de cooperativas e empresas do setor.

Tais problemas são ainda mais graves nos casos de planos coletivos que envolvem grupos cuja média etária é elevada, como é o caso do INPE e DCTA, instituições nas quais o déficit de novos concursos públicos faz com que a média etária de seus servidores ultrapasse os 50 anos (leia mais na p. 3). Esta edição traz ainda matérias que denunciam os fortes ataques dos governos Michel Temer (PMDB) e Alckmin (PSDB) à área de Ciência e Tecnologia.

Na esfera nacional o ministro Kassab (MCTIC) atropela leis e, com a ajuda do senador Renan Calheiros, vale- -se de uma burla no regimento interno do Senado Federal para fazer tramitar em ritmo galopante o chamado “golpe das teles” e, assim, conceder um “presente” às empresas privadas do setor de telecomunicações que pode superar R$ 100 bilhões.

No Estado de São Paulo o governador e a bancada governista na Assembleia Legislativa desrespeitam a própria Constituição Estadual e subtraem do orçamento da Fapesp, agência responsável pelo fomento à pesquisa, nada menos de R$ 120 milhões (p. 4 e 8).

Previdência

Não bastassem os ataques às instituições públicas de pesquisa do país, a sociedade ainda se vê diante da ameaça de uma nova (contra)reforma da Previdência Social, com mudanças nas regras de aposentadoria e pensão que trarão, se realmente aprovadas pelo Congresso Nacional, enormes perdas de poder aquisitivo a milhões de brasileiros e brasileiras, tanto do setor público, quanto do privado. Isso além de obrigá- -los a trabalhar quase até a morte (49 anos de contribuição e 65 de trabalho!).

Uma “reforma” extremamente cruel, cuja finalidade é poupar dinheiro público para encher os bolsos dos banqueiros e especuladores. E especialmente perversa com as mulheres, que terão de trabalhar ainda mais, e com os trabalhadores rurais, que começam a labutar ainda na infância.

A proposta traz, por um lado, uma redução no valor dos benefícios de aposentados e pensionistas, e por outro lado dificulta o acesso a estes benefícios para os trabalhadores em vias de se aposentar, seja com o aumento do tempo de contribuição, seja com o aumento da idade mínima de aposentadoria. Lembramos que os principais impactos destas mudanças na vida do servidor público foram detalhadamente descritos na edição de dezembro do Jornal do SindCT.

Para se contrapor a este verdadeiro atentado aos direitos dos trabalhadores e barrar esta reforma no Congresso, somente com muita luta e mobilização, nas várias frentes de ação (parlamento, movimentos sociais, sociedade organizada etc.). É o caso da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, e de um grupo de intelectuais e estudiosos do assunto, ambos empenhados em denunciar os sofismas e a manipulação de dados aos quais o governo recorre para justificar a reforma.

Em defesa da Previdência Social Universal, dos direitos históricos das classes trabalhadoras brasileiras e, em particular, dos servidores públicos, é preciso desmontar a falácia do déficit propalado pelo governo. O SindCT, por meio de seus diretores e advogados, tem contribuído ativamente com estas duas iniciativas. Boa leitura!

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