Geoengenharia Climática: cientistas loucos ou plano B para salvar o Planeta Terra?

A GEOENGENHARIA CLIMÁTICA NÃO ESTÁ IMUNE A ATAQUES DE TEORIAS CONSPIRATÓRIAS

Da Redação

 

Todos os apaixonados por livros ou filmes de ficção científica possuem em suas memórias cenas fantásticas, onde gênios, do bem ou do mal, a partir de ideias mirabolantes, criam planos e máquinas incríveis para solucionar algum problema ou trazer desgraças para o planeta Terra. Na atual conjuntura precisamos urgentemente de “cientistas loucos” para se contraporem aos “gênios” que por aqui vicejam, haja vista as ações e declarações de Weintraub, Ricardo Salles ou Ernesto Araújo.

Em junho a Academia Brasileira de Ciências promoveu no Rio de Janeiro o Simpósio Internacional sobre Geoengenharia Climática. No evento, coordenados por Paulo Artaxo e Pedro Dias, cientistas de formações diversas discutiram e avaliaram que, as ações de mitigação e redução de danos em relação ao aquecimento global, promovidas pelos governos, podem não dar certo. Será que temos um plano B?

Não era uma reunião de cientistas malucos ou gênios do mal, no entanto várias ideias lá apresentadas poderiam soar como tal. Por exemplo, o controle do clima por mãos humanas pode estar prestes a se tornar realidade. Como? Posicionar trilhões de discos na estratosfera para formar um bloqueio filtrante à radiação solar que chegaria à Terra. Bombardear nuvens, alterando o regime de chuvas. Emular erupções vulcânicas, evitando a chegada da luz do Sol na superfície do planeta. Enviar radiação solar de volta às estrelas. Fertilizar plantas marinhas com ferro ou fazer com que tubos gigantes voem pelos céus despejando aerossol de sulfato por toda atmosfera. Encapsular CO2. Posicionar refletores solares no espaço.

Estas são algumas das ousadas propostas da Geoengenharia Climática, área da ciência que se propõe a desenvolver técnicas de intervenção deliberada no ambiente planetário em larga escala, de modo a controlar o aquecimento global. Para tal são desenvolvidas técnicas que possibilitam o controle das condições climáticas da Terra pelo homem. Parece ficção científica, mas essas técnicas para o combate ao aquecimento global já são estudadas nos EUA e na Europa. E também no Brasil. No INPE, Jean Ometto, coordenador do Centro de Ciências do Sistema Terrestre, é um dos estudiosos do tema e proferiu palestra no referido Simpósio.

Para mudar o balanço de radiação, o professor de ciência climática Alan Robock, da Universidade Rutgers, nos EUA, citou a colocação de espelhos na estratosfera para refletir a luz do sol, a injeção de sal marinho nas nuvens para aumentar a condensação e se obter mais nuvens e a injeção de aerossóis de sulfato na estratosfera, de forma a reduzir a insolação na Terra. Porém, o sulfato tem efeitos colaterais, como a destruição da camada de ozônio e o fato de provocar mudanças na dinâmica estratosférica.

O pesquisador do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) Marcio Murad apresentou novas alternativas para o armazenamento de CO2 em reservatórios de pré-sal. Os modelos ainda estão em discussão, mas já integram alguns projetos no exterior. “No Brasil não temos discussões científicas sobre isso. Temos apenas algumas iniciativas de empresas”.

Outra técnica de Geoengenharia discutida mundialmente é a fertilização de oceanos, de acordo com a Hipótese do Ferro, do cientista John Martin. O professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) Frederico Brandini apresentou experimentos para refletir sobre a eficácia da fertilização dos oceanos com ferro para controlar o aquecimento global.

Alguns dos presentes defenderam que captura e sequestro de carbono por bioenergia deveriam ser incluídos nos métodos de redução e mitigação, o que ajudaria a alcançar metas do acordo de Paris. Foi considerado, na discussão, que talvez seja necessário um protocolo especifico para esses experimentos, para evitar que os métodos tradicionais como redução e mitigação de emissão sejam abandonados. A Geoengenharia Climática deve complementar esse movimento e não o substituir.

Como em todas as áreas da Ciência, a Geoengenharia Climática não está imune a ataques de teorias conspiratórias. O chemtrail (do inglês, chemical trail: 'trilha química') sustenta que os rastros deixados por alguns aviões (contrails) são, na verdade, agentes químicos ou biológicos, deliberadamente pulverizados a grandes altitudes, com o propósito de promover mudanças climáticas para beneficiar alguns países em detrimento de outros e que podem causar danos à saúde da população. A Geoengenharia Climática também é alvo de ataques dos anti-globalistas, já que evitar catástrofes ambientais faz parte da Agenda Global da ONU.

 

Tecnologias propostas pela Geoengenharia Climática

 

  • Gerenciamento da Radiação Solar (SRM): Reflexo de raios solares para que não cheguem à superfície da Terra e retornem ao espaço.
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  • Melhoramento do albedo: Aumento da refletividade das nuvens sobre a superfície da Terra, para que maior quantidade do calor do Sol seja refletida de volta para o espaço.
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  • Refletores espaciais: Bloquear uma pequena proporção da luz do sol antes que ela chegue à Terra.
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  • Aerossóis estratosféricos: Introduzir pequenas partículas refletivas na alta atmosfera para refletir parte da luz solar antes que ela alcance a superfície da Terra.
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  • Remoção de Dióxido de Carbono (CDR): Remoção de CO2 da atmosfera.
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  • Reflorestamento: Esforços para plantação de árvores em escala global.
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  • Biocarbono: Queimar biomassa (plantas) e enterrá-las para que o carbono fique preso no solo.
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  • Bioenergia com captura e sequestro de carbono: Cultivo de biomassa, queima para a produção de energia com captura e armazenamento do CO2 gerado no processo.
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  • Captura no ar ambiente: Construção de máquinas que podem remover o CO2 diretamente do ar ambiente e armazená-lo em outro lugar.
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  • Fertilização oceânica: Acrescentar nutrientes ao oceano em lugares selecionados para aumentar a produção de fitoplânctons, que absorvem CO2 da atmosfera.
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  • Meteorização melhorada: Expor grandes quantidades de minerais que reagem com o CO2 na atmosfera e armazenar os compostos resultantes nos oceanos ou no solo.
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  • Aumento da alcalinidade do oceano: Moer, dispersar e dissolver tipos de rochas como calcário, silicato ou hidróxido de cálcio no oceano para aumentar sua habilidade de armazenar carbono e combater a acidificação oceânica, um dos efeitos das mudanças climáticas.
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