Novo laboratório do Inpe fará análises ambientais

O Vale, 30 de julho de 2010

Filipe Manoukian
São José dos Campos

Com o intuito de melhorar a estrutura de pesquisas ambientais, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de São José inaugurou na última quarta-feira o Laquatec (Laboratório de Pesquisa Ambiental em Aerossóis, Soluções Aquosas e Tecnologias).

Inicialmente, o laboratório de análises químicas poderá medir a qualidade da água e de extratos aquosos de amostras ambientais, além de possibilitar que se desenvolvam soluções que permitam melhorar a qualidade desse composto químico vital à vida.

Segundo uma das pesquisadoras do Inpe responsáveis pelo Laquatec, Cristina Forti, foram investidos cerca de R$ 500 mil no laboratório e são esperados outros investimentos futuros para aumento do poder de análises da oficina de química.

Objetivo
Cristina explicou que o Laquatec é essencial para se realizar pesquisas mais precisas e exatas na área ambiental. “Nós poderemos monitorar microbacias, riachos, ou seja, partículas menores do meio ambiente, falou Cristina. “É um acompanhamento mais próximo, que não pode ser feito por satélites, por exemplo”, complementou.

Em suma, será possível aos pesquisadores examinar no laboratório, por meio de análises químicas, a água de microbacias e diagnosticar possíveis impurezas.
Mais do que identificar poluentes, o laboratório permitirá também que se estudem possíveis diagnósticos para melhorar a qualidade da água do local de estudo.

“No Laquatec será possível construir dispositivos capazes de criar soluções para purificar a água”, informou a pesquisadora Cristina. De início, Cristina falou que a área de estudo será o Vale do Paraíba, mas que o laboratório poderá analisar amostras de qualquer região do país.

Benefícios
Ainda segundo Cristina, os estudiosos que se utilizarão do laboratório terão outro objetivo além de buscar meios de purificação da água. “O tratamento de água e principalmente de esgoto hoje é muito caro. Nós faremos esses estudos com o objetivo de encontrar materiais para baratear esse processo”, disse Cristina.

A pesquisadora acredita que as pesquisas cheguem a “tratamentos mais sofisticados e mais baratos”, previu.

Os resultados dos estudos no Inpe serão todos divulgados por meio de relatórios para órgãos ligados ao Meio Ambiente, universidades e também em trabalhos de divulgação científica e livros.

Quando aplicados, o trabalho de pesquisa feito no Laquatec poderá amenizar os impactos nocivos do homem nas mudanças ambientais e climáticas e emissão de poluentes.

Para exemplificar, Cristina citou o caso de um riacho que passe próximo a um lixão. “Nós analisaremos essa água, veremos o que exatamente a está poluindo e encontraremos formas de despoluí-la”, falou. “Além disso, testaremos essas soluções e vamos monitorá-las, para ver até que ponto são realmente eficazes”, explicou a
pesquisadora.

Dificuldade
As pesquisas no Laquatec, porém, podem não atingir resultados tão rápidos quanto poderiam por falta de mão de obra. Segundo Cristina, “existe uma deficiência de pesquisadores”, o que impossibilita antever uma data para os primeiros resultados.
Mesmo assim, Cristina acredita que com o novo curso de doutorado em Ciência Ambiental, lançado este ano pelo Inpe, possam surgir novos pesquisadores na área, que venham colaborar com as pesquisas.

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