Inpe rastreia gavião-real por satélite

in Clipping

Valeparaibano, 23 de agosto de 2007

Para proteger espécie em extinção, maior ave de rapina das américas é observada por cientistas
São José dos Campos

Pela primeira vez, os satélites brasileiros serão utilizados no monitoramento de animais silvestres, em um projeto de estudo do gavião-real, a maior ave de rapina do país e uma das maiores do mundo.

O monitoramento será feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, em parceria com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

O trabalho pioneiro visa conhecer os hábitos e os deslocamentos do gavião-real, também conhecido como Harpia, como parte do projeto de conservação da ave, que está na lista dos animais silvestres ameaçados de extinção.

Para o estudo foi escolhido um filhote de quatro meses da águia brasileira, que recebeu um rádiotransmissor equipado com GPS (que permite o rastreio por satélite) e será monitorado 24 horas por um período de três anos.

O estudo está sendo realizado no município de Parintins, no Amazonas, em um assentamento do Incra, denominado Vila Amazônia. 'E um trabalho muito importante e ajudará os demais participantes do projeto a obter mais dados sobre a maior águia das Américas", disse o pesquisador José Eduardo Mantovani, do Inpe.

Ecólogo e especialista em monitoramento de animais silvestres, o pesquisador será o responsável pelo rastreio do filhote da Harpia. "O gavião-real era encontrado em quase todo o país, mas, atualmente, está praticamente restrito à Amazônia, Pantanal e Bahia", afirmou o especialista.

DADOS - Para acompanhar passo-a-passo o comportamento do filhote, Mantovani vai utilizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, que conta com os satélites das séries SCD e CBERS.

Os SCD-1 e SCD-2 são satélites de coleta de dados brasileiros e o CBERS é um satélite resultante de uma parceria do Brasil com a China. Ambos são operados pelo Inpe.

Segundo Mantovani, o equipamento implantado na ave acumulará e enviará os dados diariamente para os satélites, que os repassarão para o Inpe. "A coleta será feita a cada 10 dias", disse o especialista.

Com isso, os pesquisadores obterão informações importantes sobre os vôos dos gaviões, com dados referentes a movimentação da ave no entorno do ninho e a distância de dispersão desta espécie até a sua fase adulta.

POSITIVO - O Projeto Gavião-Real é coordenado pela pesquisadora Tânia Sanaiotti, do Inpa, que acompanha as aves nos ninhos na região de Parintins há mais de seis anos.

Ela também trabalha com as comunidades rurais locais na tentativa de estabelecer uma convivência pacífica entre os assentados e a ave de rapina.

Segundo dados da pesquisa, desde que os estudos sobre a Harpia começaram, os especialistas já contabilizam resultados positivos na região, tendo sido registrado o aumento de ninhos da ave de 2 para 12.

Por isso, a região de Parintins é a que possui o maior número de ninhos mapeados na Amazônia. Todo o trabalho é financiado pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.

Outros pesquisadores do projeto estudam o habitat e a genética do gavião-real, para formar um dossiê completo sobre a espécie e, assim, tentar evitar a sua extinção na natureza.

Desmatamento fez ave se tornar rara

O gavião-real quase foi levado à extinção na Mata Atlântica em razão do desmatamento e da caça predatória em larga escala ocorrida no século passado. Esses mesmos fatores também são uma ameaça constante ao grupo de aves encontrado pelos pesquisadores em Parintins. As árvores que têm ninhos do gavião só não foram cortadas por causa da intensa fiscalização do Ibama. O trabalho dos pesquisadores com a comunidade local, mostrando a importância da preservação da ave, também evitou a extinção da espécie na área.

Pesquisadores vão estudar outro filhote

Segundo os pesquisadores envolvidos com o Projeto Gavião-Real, um segundo rádiotransmissor, similar ao implantado no filhote de gavião em Parintins, será implantado em outro filhote na região do Cerrado ou do Pantanal. Também há previsão de promover o mesmo estudo no gavião-real encontrado na Mata Atlântica, no Estado da Bahia. Com isso, os pesquisadores irão analisar as diferenças e os comportamentos dessa espécie em relação à existente na Amazônia. Essa pesquisa será financiada por uma indústria de papel e celulose do sul da Bahia.

RapNet SindCT

Cadastre-se e receba as rapidinhas por email

Redes Sociais

             

Diagnóstico da C&T