Sucesso parcial do lançamento do VSB-30

in Clipping

Folha de São Paulo, 21 de julho de 2007

O Brasil custa a colecionar uma vitória inconteste no programa espacial. Desta vez, o foguete VSB-30 subiu conforme planejado, atingindo altitude de 242 km antes de iniciar a trajetória descendente.

Mas a Agência Espacial Brasileira (AEB) foi incapaz de recuperar o chamado módulo útil -com os experimentos levados ao espaço-, que se perdeu no mar. A carga representava 500 mil dos 900 mil gastos no VSB-30.

Em comparação com o programa VLS (Veículo Lançador de Satélites), o VSB (Veículo de Sondagem Booster) não amarga tantos fiascos. Todos os quatro VSBs até hoje lançados voaram.

Os três primeiros - dois deles partiram da Europa- não apresentaram problemas.

Já o VLS até agora é um fracasso. As duas primeiras tentativas de colocá-lo no espaço (1997 e 1999) se frustraram sem causar vítimas. Em 2003, na terceira, um acidente destruiu o foguete em solo, matando 21 técnicos na base de Alcântara (MA).

A questão é que a tecnologia empregada no VSB é quase primitiva quando comparada à do VSL. O VSB é um foguete de dois estágios, não-guiado, que voa no máximo a 7.000 km/h -só tem capacidade para vôos suborbitais.

É utilizado para realizar experimentos científicos em ambiente de microgravidade.

Já o VLS, cuja função é levar satélites ao espaço, é um artefato de quatro estágios, capaz de atingir as velocidades de 27.000 km/h necessárias para colocar objetos na órbita da Terra. Lançar, e apenas com sucesso parcial, um VSB fica muito aquém dos objetivos do programa espacial do país.

O Brasil reúne dimensões, recursos e massa crítica que justificam um programa espacial digno deste nome. Dominar a tecnologia de foguetes pode trazer vantagens tanto do ponto de vista estratégico como econômico.

Não é bom que o país dependa do cronograma ou do interesse de potências estrangeiras para lançar seus satélites.

No plano comercial, a atividade é promissora, especialmente pelas condições geográficas da base de Alcântara, cuja proximidade com a linha do Equador diminui os custos e aumenta a eficiência dos lançamentos.

Não é possível, no entanto, reivindicar um lugar nesse mercado sem investir séria e pesadamente em pesquisa e tecnologia. Não tem sido assim.