Novos lançadores de satélites e nova empresa espacial para Alcântara

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Tecnologia e Defesa. 10 de dezembro de 2018

 

Está garantida a continuidade do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), e a seguir, a introdução do lançador Áquila I e Áquila II (Família VLX), diferentes entre si pelo peso que carregam e pela altitude a que chegam.

  • Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) renovado em 2018.

 

Em março de 2018 aconteceu a primeira reunião do Comitê para o Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB), “novo” ambiente interministerial reunindo os principais atores envolvidos no fomento às atividades espaciais nacionais.

Dos grupos criados dentro do comitê*, cada um foi voltado especificamente para encontrar soluções em áreas críticas como governança (ambiente de gestão), questões fundiárias (Alcântara e outros sítios), desenvolvimento de veículo lançador (família VLX) e recomposição do quadro de pessoal técnico (fuga de mão de obra altamente qualificada).

Segundo afirmou o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Implantação dos Sistemas Espaciais (CCISE), brigadeiro-do-ar José Vagner Vital durante o Workshop Internacional Perusat-1 2018, essa atualização obteve dois destaques até o momento, o desenvolvimento de novos lançadores e a regulamentação na utilização dos centros de lançamento (leia-se Alcântara).

No primeiro destaque (lançadores), estão detalhados aqueles que atingem a órbita baixa, entre 700 e 1000 km.

Está garantida a continuidade do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), e a seguir, a introdução do lançador Áquila I e Áquila Ie (Família VLX), diferentes entre si pelo peso que carregam e pela altitude a que chegam.

A família “VLX” será composta por lançadores de três estágios, ou seja, três motores S50 no primeiro estágio (dois laterais), outro S50 impulsionando o segundo estágio e um motor foguete de propelente líquido como terceiro estágio.

A capacidade de carga ficaria em torno de 300 a 500 kg (ou até mais), dependendo da altura e da órbita a ser alcançada.

Segundo o brigadeiro Veríssimo (atualização), o proximo veículo após o Áquila 1, será denominado Áquila 1e (e = enhanced) e não Áquila 2. O Áquila 1e terá um upper stage a propulsão líquida pressurizada e não será utilizado o motor L-75. A capacidade desse estágio ainda não foi definida.

Essa nova família não inviabilizará o projeto do VLM-1, segundo o brigadeiro Vital, pois este é necessário para qualificar em voo os motores S50, entre outras coisas.

Voos de qualificação do motor S50

Segundo o brigadeiro Rogério Veríssimo, diretor de Transporte Espacial da AEB, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) abriu contagem regressiva para o lançamento do VS-50, veículo (foguete) que tem a missão de qualificar em voo os novos motores S50 antes de findar-se o próximo ano. Já ocorreu o o teste de ruptura do motor S50, realizado nas instalações da Avibras Aeroespacial com pleno sucesso.

Outro marco importante para o Projeto será a realização do ensaio estrutural, que visa simular as cargas de voo, combinando tipos de esforços distintos ao longo das interfaces do Envelope Motor S50.

Tal ensaio (tiro em banco) ocorrerá nas instalações da Usina do IAE (UCA), ao longo do primeiro trimestre de 2019.

Se obtiverem êxito nessas etapas, será o último passo antes da construção e lançamento do 1° Veículo Lançador de Microssatélite (VLM), principal aposta da pesquisa espacial nacional na área de foguetes desde 2016.

O projeto do VLM nasceu oficialmente em 2008 como uma alternativa por veículos de menor porte. Os estudos internos prosseguiram até 2011 com vistas a produzir um projeto de menor conteúdo tecnológico, mas que pudesse ser viável em um curto prazo.

Em sua primeira idealização, o VLM seria composto pelo motor central do antigo VLS, com poucas alterações.

A partir de 2011, porém, o projeto passou a ser desenvolvido em parceria com a Deutsche Zentrum für Luft-und Raumfahrt ou DLR (Agência Espacial Alemã), de modo que o projeto do propulsor foi revisto, com a decisão do desenvolvimento do S50.

 

Vídeo por Roberto Caiafa

O VS-50 é um veículo com 12 metros de cumprimento, 1,46 metro de diâmetro e massa estimada em 15 toneladas.

Ele possui, em seu primeiro estágio, um motor S50 e, em seu segundo estágio, um motor S44, já utilizado anteriormente no VLS-1.

Para o VLM-1, será acrescido um segundo motor S50. Eles passarão a compor o primeiro e o segundo estágios do foguete e o S44 será o terceiro.

Os motores S50 estão em produção na Avibras Aeroespacial, por meio de contrato assinado com a Fundação de Apoio para Projetos de Pesquisa de Ciência e Tecnologia Espacial (Funcate).

No contrato está prevista a construção de seis motores, mas já há acerto para a compra de outros dois para completar a missão de lançamento do VLM.

Dessa forma, e antevendo cenários, o CDPEB criou um grupo de trabalho para tratar do VLX, sucessor do VLM, configurado para usar dois motores S50 lateralmente como boosters potencializadores.

O VLX é um projeto estruturante que fomenta a busca pela tecnologia necessária os próximos veículos lançadores.

Também é um programa mobilizador da indústria e seus fornecedores, permitindo obter no futuro veículos mais interessantes do ponto de vista energético, capazes de levarem cargas maiores e mais pesadas em órbitas mais elevadas.

Já no segundo destaque, aparece claramente a política de abrir oportunidades para empresas utilizarem os serviços do Centro Espacial de Alcântara (CEA).

Segundo explicou o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Implantação dos Sistemas Espaciais (CCISE), brigadeiro-do-ar José Vagner Vital, a equipe de engenheiros existente pode operacionalizar quatro lançamentos teste por ano, nas condições atuais.

Apenas a título de comparação, e segundo o brigadeiro Vital, há várias empresas surgindo no mundo que realizam lançamentos com cargas equivalentes ás manejadas em Alcântara, e uma dessas companhias já manifestou a disposição de realizar cem lançamentos em um ano, em futuro próximo.

De olho nesse mercado promissor, confirmou-se durante o Workshop Perusat-1 a criação, por parte do Ministério da Defesa, da empresa pública Alada Espacial, um instrumento destinado a viabilizar a realização de atividades comerciais no CEA.

Seu eventual papel é parte do trabalho de modelagem que está sendo desenvolvido para identificar as alternativas legais que permitam a efetiva utilização do Centro, bem como o reinvestimento dos recursos por ele arrecadados na forma de taxas e outros recolhimentos.

A Alada será uma empresa pública, consequentemente sujeita à Lei de Licitações, exceto nos casos legais que a ela se sobreponham contratos específicos.

Quanto às negociações de um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos, importante frisar que existem dois outros em vigor, um com a Ucrânia e outro com a Rússia, portanto, isso não é novidade na AEB.

O lado brasileiro e outras partes interessadas, sempre que necessário, entrarão em negociações com este objetivo, sejam elas organizações americanas, sejam de outras nações que utilizem tecnologias daquele país.

Adicionalmente, o acordo também permitirá que o próprio Brasil realize lançamentos de satélites que contenham tecnologia americana, já que a Agência Espacial Brasileira está desenvolvendo um lançador nacional com a participação da Aeronáutica (família VLX).

Quanto a infraestrutura do CEA, o brigadeiro Vital destacou que foram realizadas muitas obras de aprimoramento no Centro nos últimos anos, inclusive a nova torre de lançamento.

Essas obras foram financiadas diretamente pelo atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações  (MCTIC) por meio da AEB.

Ao longo do período de 2003 a 2017 foram investidos pela AEB cerca de R$ 545 milhões na infraestrutura geral do Centro, refletindo o modelo de cooperação vigente junto ao Ministério da Defesa e ao Comando da Aeronáutica.

Infraestrutura terrestre: controlando satélites

Localizado em Brasília (DF), o Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P) é o lugar onde militares das três Forças Armadas e civis da Telebras se revezam na operação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Essa instalação pode ser erroneamente confundida com uma grande sala. Poucos sabem o alcance que aquela “sala” possui sobre o território brasileiro.

O Centro de Operações Espaciais Secundário (COPE-S), inaugurado em 19 de novembro, e localizado na Estação Rádio da Marinha do Rio de Janeiro (ERMRJ) é o back-up do sistema garantindo o funcionamento, a operação e todos os serviços prestados pelo SGDC em caso de impedimento do COPE-P.

Estrutura reconhecida pelo Uptime Institute abriga data center do SGDC (Imagem: Divulgação)

Em órbita desde maio de 2017, o SGDC foi concebido para efetuar a transmissão de internet banda larga para todo o Brasil, bem como auxiliar no monitoramento de todo o território nacional, especialmente zonas fronteiriças, ao permitir as Forças Armadas operarem dispondo de comunicações estratégicas via satélite.

Satélites de Observação da Terra até 2022

O Carponis-1 é o primeiro satélite brasileiro de sensoriamento remoto de alta resolução espacial e faz parte das constelações do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), que integra o Programa Espacial Brasileiro.

Ele terá capacidade de gerar imagens coloridas com resolução igual ou inferior a um metro, ou seja, com mais qualidade, nitidez e precisão que as imagens providas pelo satélite sino-brasileiro, o CBERS-4, que pode somente prover imagens em preto e branco com resolução máxima de cinco metros.

A previsão é que o satélite seja colocado em órbita até 2022.

Segundo o brigadeiro Veríssimo (atualização), é recomendável evitar comparações entre Carponis 1 e CBERS por serem satélites diferentes. Além disso, o Carponis não existe ainda e quando for contratado o será no exterior, usando conteúdo internacional na sua primeira encomenda, enquanto o CBERS já possui conteúdo nacional.

Para uma melhor compreensão desta temática, Veríssimo sugeriu a leitura do artigo: “Nota de esclarecimento da AEB-INPE: Características dos satélites sino-brasileiros de recursos terrestres – CBERS”, disponível no site da AEB: aeb.gov.br

No âmbito da Defesa e Segurança, o satélite proverá o apoio de inteligência nas operações militares em território nacional e internacional, sobretudo, com a identificação e monitoramento constante das áreas utilizadas para práticas ilícitas, como as áreas de fronteira e de alta criminalidade nos grandes centros urbanos.

Já como exemplos de utilização por outros órgãos governamentais, destacam-se a fiscalização mais precisa de áreas de desmatamento, o monitoramento da produção agrícola e o apoio à fiscalização fundiária.

O Projeto Carponis é definido pela Força Aérea Brasileira (FAB) como um sistema de observação da Terra com sensor óptico de alta resolução espacial e possível inclusão de banda infravermelha, orbita otimizada para observação de zonas de interesse do Brasil, capaz de realizar o monitoramento hidrológico no setor elétrico (Resolução 003/2010), apto á fiscalização e monitoramento ambiental e mapeamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), detecção de desmatamento em pequenas áreas, e observação militar de áreas de interesse das Forças Armadas brasileiras dentro e fora do território nacional.

*Grupos de Trabalho (GT) temáticos: CDPEB 2018 GT1 Governança GT2 Salvaguardas Tecnológicas GT3 Liquidação da ACS GT4 Empresa Pública (ALADA) GT5 Projeto Mobilizador GT6 VL-X GT7 Questão Fundiária em Alcântara GT8 Plano de Comunicação Social GT9 Pessoal do DCTA;AEB;INPE GT10 Políticas Públicas em Alcântara. Segundo atualização do brigadeiro Veríssimo “O CDPEB, originalmente, tinha 9 GT’s. O GT-10, 11 e 12 são novos grupos ( o GT-10 é continuação do GT-fundiario, o GT-11 trata do financiamento dos projetos mobilizadores e o GT12 trata de Lei Geral do Espaço)”

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