Lançamento do satélite Cbers 4A é adiado para maio de 2019, prevê Inpe

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G1, 19 de fevereiro de 2018

Direção do Inpe aponta demora para liberação dos recursos como motivo do atraso; governo aponta burocracia. Satélite feito em parceria com a China deveria ser lançado, inicialmente, até dezembro deste ano.

 

crise financeira que atinge o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai atrasar o lançamento do sexto satélite sino-brasileiro, o Cbers 4A. A expectativa é que o equipamento, previsto inicialmente para entrar em órbita até dezembro deste ano, seja lançado em maio de 2019. A vida útil do antecessor Cbers-4 está no limite.

A fase final do projeto custa US$ 15 milhões – valor já previsto desde o início da parceria entre Brasil e China. O recurso só foi liberado no fim do ano passado, tarde para o cumprimento do prazo inicial de lançamento.

O Ministério da Ciência e Tecnologia (Mctic) justifica que o atraso para o lançamento foi causado principalmente pela necessidade de aprovação dos contratos pela área jurídica competente e pelas formalidades do setor público. (leia mais abaixo)

O Cbers 4, lançado em dezembro de 2014, foi projetado para ter vida útil de três anos – prazo que venceu no fim de 2017, mas a operação prossegue normalmente. O equipamento substituto deve entrar em órbita em maio do ano que vem.

O Cbers 4 custou US$ 60 milhões ao Brasil e é usado pelo governo para monitorar os setores agrícolas, florestal e no controle do meio ambiente, especialmente no monitoramento e controle do desmatamento da floresta Amazônica. Equipado com uma câmera, o aparelho funciona como um scaner da superfície e envia fotos e dados aos pesquisadores e profissionais de setores importantes da economia, como a agricultura.

A produção do Cbers 4A começou em 2015 e tinha prazo de lançamento até o fim deste ano. Porém, em 2017, o Inpe sofreu uma queda de R$ 53 milhões no orçamento em relação a 2016. Segundo o diretor do instituto, Ricardo Galvão, a redução no repasse dificultou projetos e o funcionamento do instituto.

 

Tarefas

 

Ao Brasil, no projeto em parceria com os chineses, cabia a finalização do satélite Cbers 4A e envio para a China neste semestre. Na Ásia, o equipamento entra em processo de adequação e preparo para o lançamento.

 

De acordo com o instituto, eram necessários US$ 15 milhões para que os processos que cabiam ao Brasil no acordo fossem cumpridos. A verba foi liberada apenas em dezembro de 2017 pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (Mctic).

Galvão justificou que a incerteza do orçamento foi motivo de tensão com os parceiros chineses, mas garantiu que mesmo com atraso, o compromisso brasileiro será cumprido. “Tivemos que explicar a incerteza para os chineses e isso foi motivo de várias reuniões e de total desconforto internacional. Nosso acordo não previa punições e por isso mesmo precisava de atenção federal. O orçamento precisava incluir isso, mas ainda que fora do prazo, vamos conseguir garantir nossa parte”, explicou Galvão.

Com o adiamento de envio do Cbers 4A à China até junho deste ano, o Inpe planeja cumprir a tarefa logística, agora, até o fim deste ano.

O lançamento tem que ser feito na China porque o país detém uma estação de lançamento – caso tivesse de ser feito no Brasil teria de ser contratada uma empresa, o que previa mais gastos. Com o equipamento na Ásia nos novos prazos previstos, a janela de lançamento será entre maio e julho de 2019, quando o satélite será submetido a testes.

 
 
 
Lançamento do satélite Cbers 4A é adiado para maio de 2019, prevê Inpe

Lançamento do satélite Cbers 4A é adiado para maio de 2019, prevê Inpe

 

 

Custo

 

O custo total do Cbers 4A é de US$ 120 milhões, dividido entre os dois países. Apesar do valor, o satélite é feito com peças remanescentes de outras versões produzidas na parceria, o que barateou sua produção. A vida útil da nova versão também tem vida 

útil maior, de cinco anos.

Em nota o Inpe informou que, apesar do esgotamento da da vida útil do Cbers 4, em órbita hoje, ele permanece em pleno funcionamento, sem apresentar falhas.

 

Avaliação

 

Para o cientista Carlos Nobre, pesquisador aposentado do Inpe, a longa crise financeira que vem se abatendo sobre o Programa Espacial Brasileiro afeta diretamente os programas de construção de satélites do Inpe e não dá mostras de estar próxima do fim.

"O Inpe tem se destacado desde a década de 1980 como um centro pioneiro e inovador na análise dos dados de satélites. Me parece que o Inpe tem que investir mais no aperfeiçoamento destes produtos satelitários existentes no mundo e continuar a utilizar a experiência de um renomado quadro técnico-científico para liderar o desenvolvimento de novos produtos de monitoramento a partir de dados de satélites existentes", analisou Nobre.

 

Ministério da Ciência e Tecnologia

 

O Ministério da Ciência e Tecnologia (Mctic) informou em nota que é de de conhecimento geral que o Governo Federal tem enfrentado dificuldades na execução de seu orçamento em função dos desequilíbrios oriundos de anos anteriores, que implicaram na necessidade de rigoroso ajuste fiscal.

Mas destacou que a área econômica liberou para a pasta recursos consideráveis em relação ao montante contingenciado, especialmente em dezembro de 2017, os quais foram prontamente repassados a seus institutos, unidades de pesquisa e organizações sociais. "Isso possibilitou que empreendimentos importantes tivessem continuidade, mesmo que a um ritmo por vezes abaixo do desejável, mas de maneira compatível com a realidade que estamos enfrentando", disse em trecho.

Destacou ainda que considera os repasses do último ano significativos e que o setor é considerado estratégico ao país. "A reprogramação[do lançamento do Cbers 4A] não se deveu tanto a questões orçamentárias, mas, principalmente, pela necessidade de aprovação dos contratos pela área jurídica competente, e outras formalidades inerentes à atividade pública", concluiu a nora.