Opinião: O Brasil segue na contramão dos rankings acadêmicos

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Folha de São Paulo, 19 de setembro de 2017

  Adriano Vizoni/Folhapress  
RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL, 16-08-2017, 16h00: ESPECIAL RUF 2017. Campus da UFRJ, na Cidade Universitaria. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress, ESPECIAIS) ***EXCLUSIVO FSP***
Cartaz ironiza demora para manutenção na UFRJ, universidade que lidera o RUF

ADOLFO-IGNACIO CALDERÓN
ESPECIAL PARA A FOLHA

 

 

Recentemente, comemorou-se a liderança do Brasil no ranking de universidades da América Latina 2017, do THE (Times Higher Education), cujo destaque foi o primeiro lugar obtido pela Unicamp, superando a USP. No RUF, desde 2016, a USP também perdeu a primeira posição para a UFRJ, que emergiu com a melhor do país.

Apesar desses percalços, a USP ainda se consagra como a universidade brasileira melhor posicionada no ranking mundial de universidades do THE, ficando na faixa das 251-300 melhores do mundo, seguida distantemente pela Unicamp (401-500) e pela Unifesp (501-600).

Para além dessas conquistas, essas universidades têm em comum agudos problemas financeiros e endêmicas dificuldades de gestão, distanciando-se das chamadas "universidades de classe mundial" (na sigla UCM). São instituições com realidade financeira diferente, marcadas pela solvência econômica e principalmente por eficientes estruturas de governança.

Além disso, inserem-se em um sistema baseado no controle do Estado, com relativa autonomia e baixa pressão do mercado, bem como, em estruturas de gestão burocratizadas e distantes do modelo de universidade empreendedora defendida pelo sociólogo norte-americano Burton Clark. Ou seja: universidades flexíveis e abertas para atender às demandas da sociedade. Isso talvez explique o fato de que nenhuma delas participa no mercado global de educação superior.

Estudos demonstram que as verdadeiras UCM criam filiais fora de seus países, com unidades próprias e com escritórios de representação, ou participam da co-fundação de instituições no exterior.

Apesar de serem líderes na América Latina, as nossas universidades não adotam esse tipo de prática. Tampouco aderem a políticas institucionais de valorização do mérito individual ou coletivo, como por exemplo bonificações por desempenho.

Aliás, o Prêmio Excelência Acadêmica Institucional da USP, intensificado em 2012 e extinto em 2014, foi uma tentativa de bonificação pela performance em rankings internacionais que se viu afetado pela crise financeira institucional desta universidade.

Distante das tendências internacionais, o Estado Brasileiro se mostrou até hoje omisso e sem uma política indutora que acene estrategicamente para a inserção do Brasil, de maneira diferenciada, na economia global do conhecimento.

O mais próximo que chegou disso foi o abortado projeto do MEC chamado "Universidades de Excelência - TOP 200", que previa concentrar esforços em cinco universidades públicas federais para que se inserissem entre as 200 melhores do mundo.

Deixar de seguir na contramão exige enfrentar a realidade e construir as bases de uma nova universidade brasileira e global que enfrente as demandas do século 21.

Para isso, não há dúvidas: rankings nacionais e internacionais de universidades podem ser poderosas ferramentas de apoio à gestão da política de educação superior.

Adolfo-Ignacio Calderón é professor da PUC-Campinas e coordenador da Rede Brasileira de Pesquisadores sobre Rankings Acadêmicos, Índices e Tabelas Classificatórias na Educação Superior 

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