Valeparaibano, 5 de março de 2010
Instituto oferece graduação em engenharia aeroespacial; meta é reduzir déficit profissional no setor
São José dos Campos
Chico Pereira
O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), sediado em São José dos Campos, iniciou o ano letivo de 2010 com um novo curso na sua grade curricular, destinado à formação de recursos humanos altamente qualificados para atender à demanda do PNAE (Programa Nacional de Atividades Espaciais).
A partir deste ano, a instituição passa a oferecer curso de graduação em engenharia aeroespacial, resultado de estudos iniciados em 2006 a pedido da AEB (Agência Espacial Brasileira), que coordena o PNAE.
A criação do curso no âmbito do ITA foi autorizada pelo Comando da Aeronáutica em fevereiro deste ano, por meio de portaria do comandante da Arma, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito.
Neste ano também, o ITA inicia curso de mestrado em turbinas a gás, em parceria com a VSE (Vale Soluções Energia), braço da Vale, a gigante dos minérios, voltada para pesquisas na área de energia limpa (leia texto nesta página).
Inicialmente, serão oferecidas 10 vagas para engenharia aeroespacial, que serão ocupadas por alunos do terceiro ano de graduação da escola e que, voluntariamente, optaram por migrar das outras modalidades de engenharia oferecidas pelo instituto.
De acordo com o coordenador do curso, professor Ezio Castejon Garcia, a partir de 2011, o ITA deve incluir essa nova modalidade de engenharia em seu vestibular.
"A perspectiva é que, a longo prazo, também seja ampliado o número de vagas ofertadas para o curso", afirmou o professor.
DEMANDA - Ele explicou que os futuros profissionais graduados em engenharia aeroespacial deverão atender às necessidades do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), IEAv (Instituto de Estudos Avançados), ambos vinculados ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que, juntos com a AEB, são responsáveis pelo programa espacial brasileiro.
Garcia destacou que os profissionais também poderão ser aproveitados por empresas do setor aeroespacial.
A estrutura do curso foi elaborada de acordo com as necessidades dos institutos envolvidos no programa espacial. As áreas críticas identificadas do PNAE são navegação e guiamento, propulsão e aerodinâmica (todas do VLS) e eletrônica para aplicações espaciais, voltada para equipamentos embarcados.
Uma das principais dificuldades do PNAE é a falta de recursos humanos. Especialistas em atividades espaciais e que trabalham no programa espacial brasileiro estão em fase de aposentadoria, o que pode comprometer a transferência de conhecimentos adquiridos ao longo de mais de 40 anos. Além disso, nos últimos anos, muitos profissionais migraram para a iniciativa privada atrás de salários mais atrativos.
O compartilhamento das atividades do programa define ao DCTA a elaboração do projeto e construção do VLS (Veículo Lançador de Satélite). Ao Inpe cabe projetar e construir satélites, em parceria com a iniciativa privada.
"É um curso pioneiro no país e que possibilitará ampliar o quadro de pessoal de alta competência para o setor aeroespacial brasileiro", disse Garcia.
ALUNOS - Com a engenharia aeroespacial, o ITA passa a oferecer um total de seis modalidades de graduação em engenharia. Balanço da instituição revela que, desde 1950, quando escola foi criada, foram formados 5.312 profissionais.
Já nos 14 cursos de mestrado e doutorado criados a partir da década de 60 do século passado, passaram 2.612 alunos.
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VSE ajuda a formar novo mestrado
São José dos Campos
Criado a partir de uma parceria com a VSE (Vale Soluções Energia), empresa do grupo Vale instalada no Núcleo do Parque Tecnológico de São José dos Campos, o mestrado profissional em turbinas a gás começou a ser ministrado neste mês pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
O novo curso de mestrado tem duração de dois anos e visa formar profissionais qualificados para a VSE, que desenvolve pesquisas na área de energia limpa. Turbina a gás é um dos projetos da empresa.
A intenção é contribuir para a formação e aperfeiçoamento de profissionais que atuem no campo de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias renováveis. Entre mestrado e doutorado, o ITA oferece agora 14 cursos.
MERCADO - O coordenador do novo curso, professor João Roberto Barbosa, destaca que o Brasil não produz esse tipo de equipamento.
"As turbinas a gás utilizadas no país são importadas. A VSE trabalha para produzir turbinas para uso próprio e possivelmente para suprir o mercado", afirmou o coordenador.
As vagas ofertadas pela VSE neste novo mestrado somam 20. Outras seis foram criadas especialmente para atender ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial).
Segundo o ITA, os alunos selecionados recebem uma série de benefícios como bolsa, auxílio-alimentação e transporte. O ITA foi criado na década de 50 e funciona dentro do campus do DCTA, em São José dos Campos.
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