Nota do SindCT

 

Bolsonaro acusa INPE de divulgar dados mentirosos


O serviço de monitoramento da Amazônia, realizado pelo INPE há 30 anos, voltou a sofrer ataques do governo, desde vez por parte do presidente da república, Jair Bolsonaro.
As estimativas oficiais do INPE revelaram um aumento de 68% no desmatamento da Amazônia, comparado ao mesmo período de 2018. Os dados preliminares dos satélites mostram o desmatamento de mais de mil quilômetros quadrados de floresta.

Ao saber dos dados divulgados, Bolsonaro declarou à imprensa estrangeira em Brasília, no dia 19 de julho: “Não acredito que os dados que saíram no INPE sejam verdadeiros. Eu tenho a convicção que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do INPE para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão”. Bolsonaro ainda insinuou que o diretor do INPE possa estar  ligado a alguma ONG: “Mandei ver quem está à frente do Inpe. Até parece que está a serviço de alguma ONG, o que é muito comum”, disse.

Sem apresentar nenhum dado científico que comprove sua declaração, Bolsonaro chegou a dizer que esses dados são “uma cópia de anos anteriores”. “Pelo nosso sentimento isso não corresponde à verdade”, afirmou.

Questionado seguidamente pelos repórteres sobre questões ambientais, Bolsonaro demonstrou irritação com o tema. Além de negar os dados de desmatamento, chegou a dizer que existe uma “psicose ambiental” no Brasil e, ao responder um jornalista europeu que o questionava, disparou: “a Amazônia é nossa, não é de vocês.” “Se for somado o desmatamento que falam dos últimos 10 anos a Amazônia já acabou. Eu entendo a necessidade de preservar, mas a psicose ambiental deixou de existir comigo”, disse.

Em um encontro em que os jornalistas eram, em sua maioria, estrangeiros radicados no Brasil, o presidente começou sua fala dizendo que a maior parte da imprensa “lá de fora” tem uma visão distorcida do que ele é e do que pretende fazer.  “Eu entendo perfeitamente o envenenamento que fazem lá fora”, afirmou. “Não queremos mudar o que pensam lá fora, mas dar a verdade dos fatos.”

Acusou os últimos presidentes - citando Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff - de “fracos”, “antipatriotas” e “corruptos”. “Vocês de fora estão com saudades dos governos corruptos e descomprometidos com o Brasil. É isso que vocês querem aqui. Se fosse outro presidente, depois de Osaka, já teria mais 50 reservas indígenas demarcadas de forma subserviente. Isso mudou, tem que entender que isso mudou”, respondeu a uma das questões sobre ambiente, referindo-se a reunião do G20 no Japão, no mês passado, da qual participou e chegou a dizer que não seria pressionado por outras nações.
 

O SindCT esclarece que é público e notório que o INPE destaca sua política de transparência dos dados que permite o acesso completo a todas as informações geradas pelos seus sistemas de monitoramento. Este acesso possibilita avaliações independentes pela comunidade usuária, incluindo o governo em suas várias instâncias. A transparência e a consistência da metodologia do INPE para monitorar o desmatamento na Amazônia são reconhecidas internacionalmente.

O PRODES, sistema pioneiro do INPE, possui mais de mil citações na literatura científica pela excelência de seus dados. O INPE monitora constantemente a qualidade dos dados sobre desmatamento, que atualmente apresentam índice superior a 95% de precisão.

Sobre o aumento de desmatamento recente, especificamente em junho e julho, o SindCT apurou que as informações que estão sendo exploradas pela imprensa utilizando dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). O INPE sempre salientou que este sistema foi concebido para fornecimento de alertas de desmatamento desenvolvido metodologicamente para dar suporte aos órgãos de fiscalização.

A informação sobre áreas é para priorização por parte das entidades responsáveis pelo combate e não deve ser entendida como taxa mensal de desmatamento. O número oficial do INPE, que mede a taxa anual de desmatamento por corte raso na Amazônia Legal brasileira, é fornecido, desde 1988, pelo projeto PRODES, que para o ano de 2019 será divulgado até o início de dezembro próximo.


SindCT - Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial

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Shirley Marciano e Edmon Garcia

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